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Ataques de Israel ao Líbano elevam tensão e adiam acordo entre EUA e Irã

As Forças Armadas bombardearam alvos no sul do Líbano e há pelo menos 18 mortos

Da redação
DA REDAÇÃO

19/06/2026 • 09:31 • Atualizado em 19/06/2026 • 10:07

Sonia Blota
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Ataque de Israel no Líbano

Ataque de Israel no Líbano

REUTERS/Stringer

O acordo provisório de paz entre EUA e Irã, assinado em Versalhes, na França, tem 14 pontos e deveria incluir a suspensão imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano, por 60 dias, com negociações em curso na Suíça. Na manhã desta sexta-feira (19) a temperatura no Líbano voltou a subir muito. E não estamos falando de meteorologia, mas de bombardeios israelenses no território.

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Um ataque do Hezbollah matou quatro soldados israelenses. A resposta de Israel foi brutal. As Forças Armadas bombardearam alvos no sul do Líbano e há pelo menos 18 mortos.

Em um comunicado divulgado agora há pouco, o ministro da Segurança Nacional de Israel disse que, para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar, e que todo o Líbano deve arder em chamas.

Claro que é uma retórica de guerra, mas, na prática, é exatamente o que Israel tem feito, seja no Líbano ou em Gaza.

A continuidade dos ataques ao Líbano pode prejudicar as negociações de paz na região, já que o Irã prometeu várias vezes sair em defesa de seu aliado. O grupo xiita Hezbollah pode atacar Israel em retaliação, ampliando novamente o conflito.

Impasses no acordo

O problema é que Israel ficou de fora das negociações e não gostou nada deste acordo. O governo de Benjamin Netanyahu trata as bases das negociações em curso como um desastre e já está fazendo lobby contra elas em Washington.

Israel quer moldar as negociações a favor de seus interesses. O premiê israelense também não aceita retirar tropas dos territórios ocupados, seja no Líbano, na Síria, na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza. Segue a tática de usar conflitos para sustentar sua política expansionista.

Com isso, o início das negociações do acordo de paz, que deveria começar hoje com delegações americanas e iranianas na Suíça, foi adiado, e não se sabe quando as conversas serão retomadas.

Também não se sabe se os ataques de Israel podem comprometer a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.

No pré-acordo, uma das condições para que as partes iniciem as conversas, além do cessar-fogo, é justamente a abertura de Ormuz sem cobrança de pedágio pelo Irã.

Os navios começam a passar pelo estreito, mas, claro, em um ritmo muito menor do que antes do início da guerra.

Estima-se que seja necessário retirar pelo menos 80 minas colocadas pelo Irã para que as embarcações possam navegar com mais segurança e autonomia.

O mercado do petróleo vem reagindo bem desde que Irã e Estados Unidos concordaram em conversar. O preço do barril, que no pico da crise atingiu 120 dólares, está sendo negociado hoje abaixo de 80 dólares, uma queda de cerca de 35%.

A economia mundial, que já sentia os efeitos da inflação elevada e da desaceleração do crescimento, respira.

Mas respira com muita apreensão.

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