No início da gestação, a expectativa da grande maioria das brasileiras é clara: o parto natural. Um levantamento do Unicef revela que 70% das gestantes manifestam o desejo de seguir com esse procedimento no começo da gravidez.
No entanto, na hora do nascimento, apenas 40% conseguem manter essa escolha, revelando um abismo entre o planejamento e a prática hospitalar no país. Em 2024, a taxa de nascimentos por cesárea no Brasil ultrapassou os 60%, um número que contrasta drasticamente com a média mundial, que é de apenas 21%.
Especialistas apontam que, embora o trabalho de parto seja imprevisível e existam situações reais de risco à vida da mulher e do bebê que exigem a cirurgia, muitos procedimentos são realizados sem a devida transparência.
O papel da informação e o "plano de parto"
A falta de comunicação clara entre médicos e pacientes é um dos principais obstáculos. Um exemplo é o relato de Tarcila, que aos 14 anos de seu primeiro filho, recorda uma cesárea induzida pelo médico sem que ela recebesse uma explicação clara sobre o procedimento.
É dever dos profissionais de saúde informar detalhadamente sobre as condições do parto, evitando que a cesárea seja escolhida apenas pela "praticidade" das equipes médicas, seja no sistema público ou particular.
Para tentar mudar esse cenário, o Ministério da Saúde disponibiliza em seu site o Plano de Parto. Trata-se de um documento onde a gestante pode registrar seus desejos, tirar dúvidas e manifestar suas preferências desde a primeira consulta do pré-natal.
Estudos indicam que mulheres bem-informadas, acompanhadas por pessoas que também conhecem o processo, têm uma experiência de parto significativamente melhor. O direito à informação é garantido por lei e deve ser exercido desde o início da jornada da maternidade para garantir que o desejo da mãe seja respeitado sempre que a segurança médica permitir
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

