Mais de dois anos após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, reencontros emocionantes entre famílias e animais perdidos ainda acontecem. O mais recente tem nome: Tigrão, um cachorro que voltou para o colo da dona depois de dois anos longe de casa.
"Eu encontrei aquele pedacinho de mim que eu achei que tinha sumido", resume Giovana Machado, tutora de Tigrão
Tigrão se perdeu na maior tragédia climática da história do estado. Na enchente de maio de 2024, a casa da família, na cidade de Canoas, ficou embaixo d'água. Giovana foi resgatada de barco com os pais e o irmão, enquanto o cãozinho foi salvo por outros voluntários.
Desde então, a família tentou de tudo para encontrá-lo e já havia perdido as esperanças – até que, no último domingo (5), Giovana teve uma surpresa ao olhar um site de adoção de pets da prefeitura.
"Fui passando as fotos, de repente passei por uma foto que eu olhei aqueles olhinhos e pensei: não é possível. Quando eu olhei para as orelhinhas dele, eu tive certeza que era o meu Tigre", contou.
Durante as enchentes, mais de 20 mil animais foram resgatados na união entre voluntários e poder público. O maior símbolo dessa força-tarefa hoje vive como rei: o cavalo Caramelo, que sobreviveu por dias em cima de um telhado em Canoas, ganhou lar em uma universidade. Adotado pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), ele virou estrela nas redes sociais e tem até uma profissional de social media administrando seus perfis.
"Ele recebe muito carinho ali pelo Instagram, mensagens, e as pessoas realmente ficam muito felizes de ver que ele tá bem hoje em dia. Ele é o símbolo de resistência, depois de provar toda a força dele, que representa também a força do Rio Grande do Sul", diz Alessandra Ribeiro, responsável pelos perfis do animal.
Mas, dois anos depois, ainda há animais à procura de um lar. Desde que foi salva da tragédia, uma cachorrinha não reencontrou o caminho de casa e busca uma família. Segundo Franciele Amaral, gerente da ONG 101 Viralatas, muitos dos bichos resgatados nas enchentes seguem esperando adoção.
A realidade lembra que a conta da tragédia para os animais foi imensa: milhares foram retirados de telhados e casas abandonadas por equipes de resgate e protetores independentes ao longo das cheias.
Se de um lado há animais à espera de um lar, do outro há famílias que continuam sonhando com um reencontro como o de Giovana. "Por mais que pareça impossível, não é. E às vezes um acaso pode levar a um reencontro maravilhoso", diz ela.
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