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“Bomba” de Trump choca a OTAN

Por Redação
REDAÇÃO

23/01/2026 • 17:16 • Atualizado em 23/01/2026 • 17:16

Moises Rabinovici
Donald Trump

Donald Trump

REUTERS/Kevin Lamarque

Uma bomba a retardamento foi plantada pelo presidente Donald Trump em Davos, na Suíça. Ela explodiu via Fox Business deixando um rastro de pessoas e países insultados e indignados.

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“As tropas da OTAN ficaram fora das linhas do front”, durante a guerra do Afeganistão, declarou Trump.

Como? O príncipe Harris, que serviu com as tropas britânicas no Afeganistão, lembrou dos 457 soldados do Reino Unido mortos em combate. “Milhares de vidas foram mudadas para sempre. Mães e pais enterraram seus filhos e filhas. Esses sacrifícios merecem ser tratados com sinceridade e respeito”.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que evita criticar o presidente Trump, disse que suas declarações foram “insultuosas e francamente revoltantes”, não se surpreendendo que já tenham causado tanta mágoa. “Um completo disparate”, acrescentou Kemi Badenoch, líder da oposição do Partido Conservador. A bomba atingiu a OTAN, onde muitos pedem um pedido de desculpas formal de Trump. Ele vai se desculpar?

Um livro-diagnóstico sobre o presidente Donald Trump, escrito por 27 psiquiatras e especialistas em saúde mental, mas sem que nenhum deles o tenha examinado e entrevistado pessoalmente, atribuiu-lhe os seguintes comportamentos:

1. Narcisismo extremo: necessidade de admiração constante, confusão entre interesse pessoal e interesse nacional.

2. Déficit de empatia: dificuldade em reconhecer o sofrimento alheio, desumanização de minorias e inimigos.

3. Impulsividade: tomada de decisões sob emoção, intolerância à frustração.

4. Relação distorcida com a realidade: exageros sistemáticos e afirmações falsas.

5. Traços paranoides: perseguido por ameaças, inimigos internos e conspirações.

O livro, The Dangerous Case of Donald Trump (O Perigoso Caso de Donald Trump), foi organizado pela psiquiatra americana Bandy X. Lee e lançado em 2017, pelo “dever de alertar”. Os autores alegam que quando um líder representa um risco coletivo, ainda mais quando tem acesso a armas nucleares, o silêncio profissional pode ser mais antiético do que um diagnóstico não presencial cauteloso.

O livro reviveu um dos maiores tabus da psiquiatria americana, a Regra Goldwater, criada nos anos 1960 depois que psiquiatras opinaram publicamente sobre a saúde mental do candidato Barry Goldwater. A regra proíbe diagnósticos de figuras públicas sem exame direto.

Críticos e médicos denunciaram o livro por violar a regra, abrindo um precedente perigoso. Os autores responderam que não estavam diagnosticando, mas apenas analisando comportamento observáveis.

O livro se destacou em meio ao tsunami de biografias, denúncias e análises políticas publicadas durante o primeiro mandado do presidente Trump. Tornou-se um fenômeno editorial. A edição digital ainda está disponível por 68,46 reais na Amazon. Depois dele foram publicados “Muito mais perigoso caso de Donald Trump”, um com 40 psiquiatras (142,24 reais) e outro com 50 (sem preço marcado), ambos organizados pela psiquiatra Bandy X. Lee.

The Dangerous Case of Donald Trump marcou a primeira vez que a saúde mental de um presidente em exercício foi discutida publicamente e usada em debates políticos, embasada com linguagem técnica. O livro reconhece que sem exame clínico não há diagnóstico. O que resta é uma hipótese: alguns padrões comportamentais, quando persistentes e intensificados pelo poder, podem representar risco social.

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