Bora Brasil

Bombas, gás e feridos: o que se sabe sobre desocupação da Reitoria da USP

Viaturas da PM seguem na Reitoria da USP, que passará por perícia e limpeza nesta segunda-feira. Alunos marcam ato na Praça da República

Da redação
DA REDAÇÃO

11/05/2026 • 11:20 • Atualizado em 11/05/2026 • 11:20

A Polícia Militar retirou os estudantes que ocupavam o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, na Zona Oeste da capital paulista. A instituição afirmou que não foi informada sobre a ação dos agentes.

Compartilhar

Nesta segunda-feira (11), duas viaturas da Força Tática da Polícia Militar seguem no local. O prédio, apesar de ter sido desocupado, segue fechado para a realização de perícia e limpeza do prédio da Reitoria. Não há estudantes no imóvel.

Alunos de três universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp) marcaram um protesto na frente da reitoria no centro de São Paulo.

Retirada dos estudantes teve gás, cassetetes e feridos

Em publicação nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP afirmou que os policiais usaram cassetetes e gás lacrimogêneo, deixando estudantes feridos.

Ao menos quatro estudantes foram detidos pela Polícia Militar e foram encaminhados ao 7º Distrito Policial, na Zona Oeste da capital paulista, onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, eles foram liberados.

Estudantes falam em ‘corredor polonês’

Em comunicado postado nas redes sociais, o DCE USP afirmou que os policiais militares formaram um “corredor polês para espancamento”.

“A USP já foi tomada por períodos sombrios de autoritarismo, e a Reitoria da USP, no dia de hoje, escolheu relembrar esses períodos da pior forma possível, recusando o diálogo e optando pela força e pela violência da Polícia Militar. Aluísio, Edmilson e o conjunto da Reitoria escolheram ignorar as reivindicações por melhores políticas de permanência de dezenas de milhares de estudantes e reprimir alunos alunas que sustentam cotidianamente o ensino, a pesquisa e a extensão dentro da universidade, tudo isso em pleno Dia das Mães”, diz a nota.

“Essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial. É preciso apontar que, mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre às 21h e Sh, algo pacífico nos tribunais”, continuou.

O DCE USP pontuou no comunicado que a ocupação já passava de 60 horas e que não havia qualquer sinal de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa, “a operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo, e a todo momento houve acompanhamento policial”.

PM diz que apreendeu entorpecentes

Em nota, a Polícia Militar, por meio da Secretaria de Segurança Pública, informou que toda a ação foi registrada pelas câmeras operacionais portáteis dos policiais, e as imagens serão anexadas aos autos da ocorrência.

Após vistoria, os agentes constataram danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada.

“No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes. Quatro pessoas foram conduzidas ao 7º Distrito Policial, onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas”, diz trecho da nota.

“A Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, finalizou.

USP diz que não foi avisada sobre ação

A USP lamentou os acontecimentos durante a retirada dos estudantes do prédio da reitoria. Em nota, a universidade afirmou que não foi avisada previamente sobre a ação da Polícia Militar.

A instituição de ensino comunicou a ocupação à polícia no mesmo dia que foi iniciada, na última quinta-feira (7), “com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais”.

“Na manhã deste dia 10 de maio, sem comunicação prévia à Reitoria, houve a desocupação do espaço público pela Polícia Militar (...). A Reitoria segue aberta a um novo ciclo de diálogo com a finalidade de consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil, o que pressupõe a manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços da Universidade”, disse a USP.

“A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário”, destacou a instituição.

Estudantes marcam ato na Praça da República

Uma manifestação conjunta de estudantes da USP, Unesp e da Unicamp, todas universidades estaduais, foi marcada para às 13h desta segunda-feira (11), em frente a reitoria da Unesp, localizada na Praça da República, no centro de São Paulo.

O local é onde acontece os encontros dos reitores das universidades paulistas. Na manifestação, os estudantes vão reivindicar as melhorias nas instituições.

O que motivou a ocupação da Reitoria?

Os estudantes estavam na Reitoria da USP desde quinta-feira (7), reivindicando a reabertura de diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. Entre as demandas estão o aumento no valor pago pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas moradias estudantis e também nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões.

O movimento começou depois que os funcionários da universidade entraram em greve no dia 15 de abril em busca de aumento de salários.

Os servidores chegaram a acordo e já retomaram as atividades, mas o movimento dentro da universidade seguiu com a reinvindicação dos estudantes, que negociaram os pedidos com a reitoria, com alguns avanços. Os alunos pedem a reabertura das negociações, encerradas na última semana.