A Polícia Militar retirou os estudantes que ocupavam a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, na Zona Oeste da capital paulista. A ação aconteceu durante a madrugada deste domingo (10).
Em publicação nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP afirmou que os policiais usaram cassetetes e gás lacrimogêneo, deixando estudantes feridos.
"Enquanto o movimento grevista estava à disposição de conversar, de negociar, a forma como o reitor decidiu utilizar foi de truculência com os estudantes. Na calada da noite, mandou a Polícia Militar fascista, a mando do Tarcísio de Freitas, vir aqui e descer o cassetete na cara de estudante. Tem estudantes que quebraram o braço, que quebraram o dedo, que quebraram o nariz”, disse uma estudante em vídeo publicado pelo DCE USP.
Ao menos quatro estudantes foram detidos pela Polícia Militar e estão sendo encaminhados ao 7º Distrito Policial, na Zona Oeste da capital paulista.
“Quatro estudantes foram detidos. Seu crime? Lutar por dignidade. Lutar por auxilio digno, lutar para que mais nenhum estudante tenha que comer em um bandejao com larva”, diz publicação do DCE USP nas redes sociais.
Os estudantes estavam na Reitoria da USP desde quinta-feira (7), reivindicando a reabertura de diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. Entre as demandas estão o aumento no valor pago pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas moradias estudantis e também nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões.
O movimento começou depois que os funcionários da universidade entraram em greve no dia 15 de abril em busca de aumento de salários.
Os servidores chegaram a acordo e já retomaram as atividades, mas o movimento dentro da universidade seguiu com a reinvindicação dos estudantes, que negociaram os pedidos com a reitoria, com alguns avanços. Os alunos pedem a reabertura das negociações, encerradas na última semana.
‘Corredor polonês’
Em comunicado postado nas redes sociais, o DCE USP afirmou que os policiais militares formaram um “corredor polês para espancamento”.
“A USP já foi tomada por períodos sombrios de autoritarismo, e a Reitoria da USP, no dia de hoje, escolheu relembrar esses períodos da pior forma possível, recusando o diálogo e optando pela força e pela violência da Polícia Militar. Aluísio, Edmilson e o conjunto da Reitoria escolheram ignorar as reivindicações por melhores políticas de permanência de dezenas de milhares de estudantes e reprimir alunos alunas que sustentam cotidianamente o ensino, a pesquisa e a extensão dentro da universidade, tudo isso em pleno Dia das Mães”, diz a nota.
“Essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial. É preciso apontar que, mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre às 21h e Sh, algo pacífico nos tribunais”, continuou.
O DCE USP pontuou no comunicado que a ocupação já passava de 60 horas e que não havia qualquer sinal de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa, “a operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo, e a todo momento houve acompanhamento policial”.
“Assim, questiona-se: por que a polícia militar esperou a madrugada, enquanto estudantes dormiam, para realizar a operação? Por que não houve mediação? Por que agora? Por que os estudantes foram detidos e não há transparência? Por que objetos pessoais estão sendo vasculhados de forma arbitrária?”, questionou o órgão.
O que diz a Polícia Militar?
Em nota, a Polícia Militar, por meio da Secretaria de Segurança Pública, informou que toda a ação foi registrada pelas câmeras operacionais portáteis dos policiais, e as imagens serão anexadas aos autos da ocorrência.
Após vistoria, os agentes constataram danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada.
“No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes. Quatro pessoas foram conduzidas ao 7º Distrito Policial, onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas”, diz trecho da nota.
“A Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, finalizou.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

