A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, enfrenta uma das maiores catástrofes climáticas de sua história. Em um intervalo de apenas sete horas, o volume de chuva registrado igualou a média prevista para todo o mês de fevereiro. Em entrevista ao Bora Brasil, a prefeita da cidade, Margarida Salomão, afirmou que Juiz de Fora viveu “uma precipitação em dilúvio”.
"Dilúvio"
O fenômeno foi descrito pela prefeita Margarida Salomão como um evento extremo e sem precedentes recentes. Segundo a chefe do executivo, a intensidade da precipitação superou qualquer expectativa para o período:
"Nós tivemos uma precipitação em dilúvio. Nada menos do que 186 mm de chuva em 4 horas. E isso no mês de fevereiro, que já é o mais chuvoso da história", afirmou a prefeita em entrevista ao programa Bora Brasil.
O impacto foi tão severo que o Rio Paraibuna, principal curso d'água que corta o município, transbordou de uma forma que remete a registros históricos quase esquecidos. "Aconteceram situações que não acontecem há décadas. Por exemplo, na década de 40 do século passado, foi quando tivemos o Rio Paraibuna saindo da cheia. Pois acreditem vocês que dessa vez nós tivemos isso", completou Margarida.
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Deslizamentos
A cidade sofre os reflexos de temporais entre a noite desta segunda (23) e a madrugada desta terça (23), que deixaram ao menos 23 mortos e 35 desaparecidos, além de centenas de desabrigados. Outras sete mortes foram registradas na cidade de Ubá, próxima a Juiz de Fora, totalizando 30 vítimas fatais no estado.
"Tivemos um deslizamento do Morro do Cristo, que é o ponto geográfico de referência histórica e afetiva da cidade", lamentou a prefeita, ressaltando que a ocupação em áreas de "risco quatro" — encostas íngremes e margens de córregos — agravou a tragédia. Na cidade vizinha de Ubá, a situação também é crítica, com pelo menos quatro mortes confirmadas após o desabamento de imóveis.
Força-tarefa e apoio federal
Equipes do Corpo de Bombeiros trabalham ininterruptamente com o auxílio de cães de busca para localizar vítimas soterradas. O Tenente Henrique Barcelos alertou que o terreno permanece instável, o que coloca em risco até mesmo os socorristas.
Diante do cenário de calamidade, a prefeitura confirmou que o governo federal já sinalizou apoio imediato.
"Recebi um telefonema do presidente em exercício Geraldo Alckmin colocando o governo à nossa disposição. Vamos precisar realmente de recursos imediatos de ajuda humanitária, técnicos da Defesa Civil e ajuda na área da saúde para alojamento das famílias que estão perdendo as suas moradias", pontuou Margarida Salomão.
Alerta máximo
A orientação das autoridades é drástica: moradores de áreas de risco devem evacuar suas residências imediatamente. Com a previsão de mais instabilidade climática, a prioridade total é a preservação da vida e a assistência aos desabrigados.
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