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Facções sabotam provedoras de internet e monopolizam mercado para se financiarem no RJ

Investigação já identificou a atuação de empresa clandestina vinculada ao Comando Vermelho e outra com ligação ao Terceiro Comando Puro, ambas na Zona Norte

Da redação
DA REDAÇÃO

05/08/2025 • 09:43 • Atualizado em 05/08/2025 • 09:43

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (5), uma operação que mira a exploração clandestina do serviço de internet em regiões da Zona Norte, ligada a facções criminosas.

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Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos alvos, na Zona Norte e na Baixada Fluminense. Na prática, os criminosos sabotavam as operadoras licenciadas. O objetivo era monopolizar o mercado nas comunidades e financiar as referidas as facções.

Até o momento, foram apreendidos um fuzil, duas pistolas, dinheiro em espécie, equipamentos eletrônicos e cabos utilizados pelas empresas. Duas pessoas foram conduzidas à delegacia.

A operação é um desdobramento de investigação em andamento, que iniciou a partir da análise de dados técnicos e relatos encaminhados para as autoridades, indicando a existência de provedores atuando de forma irregular em comunidades dominadas por facções criminosas.

No decorrer da apuração, a polícia identificou a atuação de empresa vinculada ao Comando Vermelho, operando na região do Morro do Quitungo, e outra com ligação ao Terceiro Comando Puro, com atuação predominante em Cordovil, Cidade Alta e adjacências.

Segundo os agentes, a investigação demonstrou que as facções atuam com apoio logístico de criminosos armados que impedem a entrada de operadoras licenciadas, promovendo, inclusive, o vandalismo de redes técnicas e a destruição de cabos de fibra óptica.

Na região do Morro do Quitungo, foi constatada a existência de postos de vigilância armada e grande restrição à mobilidade institucional, o que reforçou que as atividades empresariais ocorriam sob proteção armada da organização criminosa.

Em fevereiro deste ano, minutos após técnicos de uma das empresas clandestinas serem flagrados atuando na rede, próximo ao Morro do Quitungo, a operadora licenciada reportou queda abrupta de sinal na região. Posteriormente, foi confirmado o rompimento dos cabos instalados. Além disso, foi verificado que materiais subtraídos de operadoras regulares estavam sendo utilizados no interior da sede da empresa clandestina.

O responsável pela empresa ligada ao Comando Vermelho possui anotações criminais por tráfico de drogas, furto de energia e receptação. Em depoimento, declarou já ter recebido propostas de facções criminosas para assumir o serviço de internet em outras comunidades, inclusive relatando repasses periódicos a lideranças do tráfico em forma de doações e contribuições "comunitárias".

Em relação à empresa ligada ao Terceiro Comando Puro, o proprietário já foi autuado em flagrante por receptação qualificada, quando foi encontrado grande volume de cabos pertencentes a operadoras regulares no interior de um galpão.

Também contra ele, foi apurada a existência de equipes de instalação formadas por indivíduos sem vínculo formal, utilizando veículos de terceiros e operando sem habilitação. Em uma das diligências, em março, sete pessoas foram presas, inclusive uma funcionária em plena atividade de instalação clandestina na região de Brás de Pina.