O nome de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, consolidou-se nesta semana como o principal favorito para suceder seu pai, o Aiatolá Ali Khamenei, no posto de Líder Supremo do Irã. A decisão final cabe agora à Assembleia dos Peritos. Embora o sistema iraniano não seja uma monarquia hereditária, a influência de Mojtaba nos bastidores militares e de inteligência o coloca à frente na disputa.
Outro nome mencionado pela imprensa iraniana é o de Saed Hassan Khomeini, neto do mentor da Revolução de 1979, mas Mojtaba é visto como a escolha que garante a continuidade da resistência ideológica contra o Ocidente.
Diferente das eleições presidenciais, o povo não vota diretamente para o cargo de Líder Supremo. A responsabilidade recai sobre a Assembleia dos Peritos (Majles-e Khobregan-e Rahbari), um colegiado de 88 clérigos especializados em jurisprudência islâmica.
Segundo o Artigo 107 da Constituição local, os peritos devem se reunir "no menor tempo possível" para avaliar os candidatos. Para ser eleito, o sucessor precisa preencher três requisitos fundamentais estabelecidos pelo Artigo 109:
- Competência Científica: Alto nível de conhecimento em leis islâmicas.
- Integridade Moral: Reconhecida justiça e piedade religiosa.
- Visão Política: Perspicácia administrativa e coragem para liderar as Forças Armadas.
Governo de transição
Enquanto a Assembleia não oficializa o novo nome, o Artigo 111 da Constituição prevê a formação de um Conselho de Liderança Provisório. Este grupo, composto pelo Presidente da República, pelo Chefe do Judiciário e por um clérigo do Conselho dos Guardiães, assume as funções de comando para garantir que o Estado não paralise.
A urgência na definição do nome é acentuada pelo estado de guerra. No quinto dia de ofensiva, Israel mantém bombardeios contra alvos militares na capital iraniana. Mesmo com a perda de sua liderança máxima, o Irã ainda demonstra capacidade de resposta, com ataques registrados contra bases americanas e ativos israelenses em pelo menos nove países da região.
A possível oficialização de Mojtaba Khamenei é vista como uma mensagem de "resistência inabalável" do regime, sinalizando que a estratégia iraniana no Oriente Médio pode se tornar ainda mais agressiva nos próximos meses.
O papel do Presidente do Irã
Embora seja o rosto do país em assembleias da ONU e em viagens internacionais, o Presidente do Irã é, na prática, o segundo em comando. Ele é eleito por voto popular para mandatos de quatro anos, mas sua candidatura precisa ser aprovada pelo Conselho de Guardiães — que é influenciado pelo Líder Supremo.
O presidente tem a função de implementar as políticas definidas pelo Líder Supremo, gerir a economia e o orçamento nacional e comandar os ministérios e a burocracia estatal.
Por que isso importa para o mundo?
A estrutura de poder no Irã explica por que, muitas vezes, mudanças de presidente não resultam em mudanças drásticas na postura do país em relação ao Ocidente ou a Israel. Enquanto o presidente pode tentar reformas econômicas ou aberturas diplomáticas, a "linha dura" da segurança nacional permanece firmemente nas mãos do Líder Supremo.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

