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Mortes em UTI: saiba quem são os técnicos suspeitos de assassinar pacientes

Um detalhe que agravou o caso foi a descoberta de que, após ser demitido do hospital onde os crimes começaram a ser notados, um dos técnicos conseguiu emprego em uma UTI pediátrica de outra unidade de saúde

Da redação
DA REDAÇÃO

20/01/2026 • 11:01 • Atualizado em 20/01/2026 • 11:01

Os três técnicos de enfermagem que foram presos suspeitos de matar três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, foram identificados.

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As identidades dos técnicos foram confirmados à Band pelo delegado que investiga o caso. Veja quem são:

  • Amanda Rodrigues de Sousa;
  • Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo; e
  • Marcela Camilly Alves da Silva.

Eles são investigados pelas mortes de:

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos
  • João Clemente Pereira, 63 anos
  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos

Investigação

A investigação aponta que os suspeitos injetavam substâncias não prescritas nos pacientes, incluindo desinfetante, o que levava a paradas cardiorrespiratórias fatais.

Em um dos casos identificados pela perícia, uma paciente recebeu pelo menos 10 doses de desinfetante diretamente na veia. Segundo informações, os crimes ocorriam em datas diferentes, e a motivação para os assassinatos ainda é desconhecida.

Até o momento, a polícia investiga cerca de 20 mortes que podem ter relação com a conduta dos técnicos. Três desses óbitos já apresentam fortes indícios de terem sido causados pela ação criminosa dos profissionais.

Um detalhe que agravou o caso foi a descoberta de que, após ser demitido do hospital onde os crimes começaram a ser notados, um dos técnicos conseguiu emprego em uma UTI pediátrica de outra unidade de saúde. A polícia destaca que ele continuou colocando vidas em risco, desta vez de crianças, até o momento de sua prisão.

O hospital onde os crimes ocorreram afirmou que, assim que percebeu a conduta ilegal, demitiu os envolvidos e comunicou as autoridades para que a investigação fosse iniciada. A Polícia Científica segue analisando prontuários e realizando perícias para confirmar a extensão dos crimes cometidos pelo grupo.

O que disse o hospital

Em nota, o Hospital Anchieta informou que ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua UTI, a unidade de saúde instaurou, por iniciativa própria um comitê interno de análise e ”conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”.

“Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026”, disse o hospital.

“Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas”, acrescentou.

No comunicado, o hospital afirmou que entende que o segredo de justiça é “imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial”.

“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça”, finalizou.