O governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de um novo pacote de tarifas alfandegárias que incidirá diretamente sobre as exportações brasileiras, com as sobretaxas de 25% programadas para entrar em vigor a partir da próxima quarta-feira (22). A medida impactará em US$ 7,4 bi das exportações brasileiras.
O dado representa um impacto de cerca de 18% do volume total de mercadorias que o Brasil envia ao mercado norte-americano. O setor industrial brasileiro figura como um dos mais atingidos pelas novas alíquotas, que englobam produtos específicos como etanol, itens de vestuário, calçados e máquinas agrícolas, além de restrições parciais no segmento de carne bovina.
Em contrapartida, a maior parte do comércio bilateral de exportação brasileira foi mantida isenta das novas tarifas por meio de uma lista de exceções que abrange mais de 2.100 produtos. Essa fatia poupada representa 82% das vendas do Brasil para os Estados Unidos e engloba mercadorias consideradas estratégicas para a economia norte-americana, cuja tributação poderia gerar pressões inflacionárias internas no mercado estadunidense.
Diante do cenário, o governo brasileiro manifestou publicamente a posição de que as sobretaxas aplicadas por Washington carecem de justificativa técnica ou econômica. Após tentativas prévias e frustradas de negociação diplomática para reverter as medidas, a administração federal em Brasília avalia atualmente a formulação de uma resposta institucional, cogitando inclusive a adoção de medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos.
8,5 bi de impacto no agro
O governo norte-americano confirmou, na noite de quarta-feira (15), as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Boa parte de produtos agrícolas que antes eram taxados, como carnes, café (incluindo o café solúvel) e suco de laranja ficaram isentos, mas ainda há uma enorme lista de produtos agropecuários tarifados, como o etanol, calçados, pescados e açúcar. Só no agro, o prejuízo com as exportações pode chegar a US$ 5,8 bilhões, resultado do aumento de custos e da redução das margens de lucro dos produtos nacionais no mercado americano.
De acordo com a Amcham Brasil, se combinados os setores agropecuário e agroindústria, o impacto pode superar US$ 11 bilhões.
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