O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (30) que o país registrou 17 casos suspeitos de intoxicação por metanol entre os meses de agosto e setembro.
“Número atípico de casos de intoxicação por metanol. Temos na nossa série histórica cerca de 20 casos por ano, que são devidamente notificados pelos profissionais de saúde. A partir de setembro, se notificou quase metade daquilo que se notifica ao longo do ano”, disse Alexandre Padilha em coletiva de imprensa.
“Quando a gente puxa para o mês de agosto, a gente chega a 17 casos de intoxicação suspeita por metanol. Se pegar agosto e setembro, é mais ou menos o que aconteceria no ano como um todo. Além disso, concentrado em um estado da federação”, acrescentou o ministro da Saúde.
Na coletiva, Alexandre Padilha reforçou que, normalmente, os casos de intoxicação por metanol no Brasil estão associados a pessoas em situação de rua, “que vão atrás do metanol, que é vendido como combustível e ingere, ou tentativas de suicídio”.
O ministro da Saúde reforçou que a entrada da Polícia Federal, que abriu um inquérito para investigar os casos de intoxicação por metanol, é “por suspeitar de que tenha uma organização criminosa relacionada com isso”.
Padilha afirmou que o Ministério da Saúde, além de reforçar as parcerias com as Secretarias de Saúde, a pasta também vai publicar uma nota técnica com os protocolos do ministério sobre identificação e como agir nesses casos.
Investigação da PF
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (30) que determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar a origem do metanol usado para batizar bebidas alcoólicas no estado de São Paulo.
Em coletiva, Lewandowski declarou, no momento, as ocorrências estão concentradas em São Paulo, mas não descarta que existe distribuição para além do território paulista.
“Nós determinamos ao doutor Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, que abrisse um inquérito policial para verificar a procedência dessa droga e a rede possível de distribuição que, ao tudo indica, transcende o limite de um único estado”, disse o ministro da Justiça e Segurança Pública.
“No momento, as ocorrências estão concentradas no estado de São Paulo. Mas tudo indica que há uma distribuição para além do estado de São Paulo e, portanto, sendo uma ocorrência que transcende limites de um estado, isso atraí a competência da Polícia Federal”, acrescentou Ricardo Lewandowski.
Mortes em São Paulo
A terceira morte na Grande São Paulo por suspeita de consumo de bebidas contaminadas por metanol foi confirmada nesta segunda-feira (29) pela Prefeitura de São Bernardo do Campo. Trata-se do segundo caso fatal na cidade. Um outro óbito foi registrado na capital paulista.
Pela nota da prefeitura de São Bernardo, um homem de 45 anos morreu no sábado (27) após ter sido atendido em hospital particular. Outro homem morreu em 24 de setembro, após atendimento no hospital de urgência da cidade.
Ainda segundo a nota, o Instituto Médico Legal da cidade investiga se a causa das mortes foi realmente a contaminação pelo metanol.
Já a prefeitura de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), da Secretaria Municipal de Saúde, disse em nota que está monitorando o cenário de intoxicação.
Segundo a prefeitura, os profissionais do Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) estão orientados a fazerem o reconhecimento de sinais e sintomas, “visando diagnósticos e tratamento rápidos, assim como notificação dos casos suspeitos”.
A prefeitura informou que este ano foram registrados 14 casos suspeitos de intoxicação por metanol após o consumo de bebida adulterada. O óbito registrado na cidade foi de um homem de 54 anos, da região da Mooca, morto no dia 15 deste mês.

