
Vinicius Gritzbach foi executado em SP
Reprodução/Band
A Justiça de São Paulo agendou para o período entre 22 e 26 de junho o julgamento de três policiais militares acusados de participação direta na morte de Vinícius Gritzbach. O júri popular ocorrerá no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Entre os réus estão o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, apontados como os atiradores, além do tenente Fernando Genauro, acusado de dirigir o veículo utilizado na ação.
Gritzbach, que era delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi executado com dez tiros de fuzil durante o desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Apesar da proximidade do julgamento dos executores, o Ministério Público solicitou a abertura de um novo inquérito por considerar improvável que os nomes apontados pela Polícia Civil como mandantes tenham agido sem o suporte da cúpula da facção ou de autoridades policiais ligadas ao crime organizado.
Motivações e suspeitos foragidos
A investigação aponta que a execução foi motivada por um sentimento de vingança estruturado em três pilares principais: a morte do líder Anselmo Santa Fausta, conhecido como "Cara Preta", em 2021; o desvio de investimentos do PCC em criptomoedas; e o acordo de delação premiada firmado por Gritzbach com o Ministério Público de São Paulo.
Atualmente, três suspeitos de serem os mandantes seguem foragidos: João Castilho (Cigarreira), Diego Ales (Didi) e Kaue do Amaral Coelho, que teria atuado como olheiro. Embora a Polícia Federal tenha prendido policiais civis por crimes correlatos, como lavagem de dinheiro e corrupção, a ligação direta desses agentes com o homicídio ainda é uma das frentes de apuração.
Lacunas na investigação da escolta
Um ponto que ainda gera controvérsia no processo é a atuação da escolta do delator no dia do crime. O inquérito não conseguiu comprovar o envolvimento direto dos seguranças particulares — também policiais militares — com os executores. Na ocasião, três dos seguranças não estavam no terminal no momento do desembarque, alegando problemas mecânicos no veículo enquanto aguardavam em um posto de gasolina.
Outra linha de investigação, considerada menos provável pelas autoridades, envolve um kit de joias avaliado em mais de R$ 1 milhão que estava em posse da vítima no momento do ataque, após uma viagem a Alagoas. Os três policiais militares que irão a julgamento em quatro meses permanecem presos em regime fechado.
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