A Polícia Militar de São Paulo instaurou um inquérito para investigar a conduta do tenente-coronel Geraldo Neto, marido da soldado Gisele Santana, de 32 anos. A investigação foi motivada por uma denúncia anônima que chegou ao conhecimento de um coronel da corporação dois dias após a policial encontrada com um tiro na cabeça dentro de sua residência, na capital paulista.
O documento formalizado pela PM traz relatos graves sobre a convivência do casal. De acordo com a denúncia, o oficial apresentava um comportamento intimidador, marcado por ameaças e monitoramento constante da vítima, o que mudou a linha de investigação de suicídio para morte suspeita.
Detalhes da denúncia na íntegra
O conteúdo da denúncia, registrado na portaria da corporação e obtido pela reportagem do Brasil Urgente, descreve o perfil do oficial e o sofrimento da soldado.
“O oficial possui instabilidade emocional, sendo recorrentes os episódios de perseguição, intimidação e ameaças em desfavor da soldada Gisele”, diz um trecho. “Gisele vivia em estado de apreensão e medo e os fatos teriam sido presenciados por diversas testemunhas”.
Histórico e novos laudos
A denúncia afirma ainda que diversas testemunhas podem reafirmar que Gisele passava por uma situação de temor constante antes de sua morte. Diante dos relatos de instabilidade emocional do tenente-coronel, a Polícia aguarda agora resultados periciais fundamentais para o desfecho do caso.
No último dia 6, o corpo de Gisele foi exumado para a realização de novos exames. A expectativa dos investigadores está concentrada no laudo da exumação, no exame toxicológico e na análise que pode demonstrar se havia material biológico debaixo das unhas da soldada, o que indicaria uma possível luta corporal.
Prisão preventiva em pauta
Embora a defesa do tenente-coronel alegue a presunção de inocência, a gravidade dos episódios de perseguição relatados na denúncia anônima reforça o pedido de medidas cautelares, segundo o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior. "Ele tem um histórico violento, ele tem um histórico perseguidor. Isso é pré-requisito para uma prisão preventiva".
Advogado: Filha de Gisele relatou sofrimento da mãe
O advogado da família de Gisele detalhou o depoimento do ex-marido da vítima. Segundo a defesa, as declarações corroboram a tese de que Gisele vivia um ambiente de sofrimento doméstico. O ex-marido relatou que a filha do casal, ao ser buscada um dia antes do ocorrido, afirmou que não queria retornar para a casa do padrasto.
De acordo com o depoimento, a criança queixou-se ao pai e à avó sobre o bem-estar da mãe. "Ela dizia que não queria mais voltar porque a mamãe estava sofrendo muito", afirmou o advogado.
O ex-marido da vítima esclareceu que a separação anterior não foi motivada pela presença do oficial e que o convívio entre eles era amigável até certo ponto. No entanto, ele destacou um comportamento possessivo por parte do coronel.
O advogado pontuou que o coronel nutria um ciúme evidente, não apenas em relação ao ex-marido, mas de forma generalizada. "O coronel realmente... é evidente que ele nutria um ciúme não só por ele, mas por todo mundo. Ele não queria contato", explicou a defesa.
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