A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), detalhou o funcionamento de uma organização criminosa altamente estruturada especializada no roubo e receptação de medicamentos oncológicos de alto valor. Segundo as investigações, nos últimos dois anos foram registradas ao menos 50 ocorrências de roubos desse tipo no estado, com o mesmo modus operandi.
De acordo com o delegado Luiz Eduardo Moura, a quadrilha era dividida em pelo menos quatro núcleos atuantes:
- Núcleo Operacional (Executores): Criminosos armados realizavam as abordagens e interceptações de caminhões em rodovias próximas ao Complexo da Maré, rendendo os motoristas.
- Apoio Logístico: Contava com o suporte de chefias do tráfico local para realizar o transbordo das cargas roubadas em áreas sob controle do Terceiro Comando Puro (TCP), como a Vila do João.
- Intermediadores: Responsáveis por fazer a ponte entre o transbordo na favela e o grande receptador.
- Núcleo Receptador e Financeiro: Sediado no Estado de São Paulo, principalmente no ABC Paulista, o esquema era liderado por empresários que criavam empresas de fachada para escoar os medicamentos.
Inserção no mercado formal e licitações
A engrenagem do esquema garantia que os medicamentos furtados fossem reinseridos no mercado formal. Com o uso de "laranjas" e empresas de fachada, os medicamentos eram negociados com o setor privado e oferecidos inclusive em licitações para o setor público.
A investigação se debruçou para entender como funcionava esse escoamento. O investigado criava diversas empresas de fachada e negociava tanto com o setor público quanto privado, participando de licitações e reinserindo medicamentos roubados no Rio de Janeiro dentro do sistema público formal", explicou o delegado.
Desdobramentos da investigação
A polícia apura agora a conduta de compradores e instituições que adquiriram as cargas para verificar se agiram de boa-fé ou se tinham ciência da procedência ilícita devido a valores abaixo do mercado.
Membros dos núcleos de intermediação e o chefe do esquema receptador em São Paulo já foram presos. As autoridades buscam localizar outros integrantes do grupo que continuam foragidos.
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