
Receita Federal
Divulgação/ Receita Federal
A Polícia Federal e outras forças de segurança deflagraram nesta quinta-feira (29) a Operação Carbono Oculto, um duro golpe contra uma rede de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que, segundo as investigações, teria movimentado mais de R$ 54 bilhões nos últimos quatro anos. A organização criminosa, supostamente liderada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), se infiltrou nos setores financeiro e de combustíveis em pelo menos oito estados brasileiros para atuar no esquema. As informações são da repórter Carla Ramil.
O esquema bilionário, que operava com a adulteração de combustíveis, envolvia a importação de nafta e metanol, que são derivados do petróleo. As substâncias eram recebidas em um terminal no Porto de Paranaguá, no Paraná, e transportadas em caminhões-tanque para postos de gasolina por todo o país. Nesses locais, as misturas ilegais eram produzidas.
O lucro obtido com a adulteração e a sonegação fiscal era então "lavado". A rede criminosa usava uma empresa de tecnologia financeira, a "BK Bank", para receber o dinheiro em espécie. A fintech usava o método conhecido como "conta-bolsão", que mistura o dinheiro de vários clientes em uma única conta-mãe, impedindo que a origem de cada transação fosse rastreada. Em cinco anos, a BK Bank lucrou mais de R$ 46 bilhões.
Com a "lavagem" concluída, o dinheiro era reinvestido em mais de 40 fundos de investimento administrados pela "Reague", outra empresa investigada na operação.
Os nomes por trás do esquema
O Ministério Público de São Paulo identifica Mohamad Hussein Mourad como o líder da rede criminosa. Conhecido pelos codinomes 'João', 'Primo' ou 'Jumbo', ele é o principal articulador do esquema. As investigações indicam que Mourad, que se apresenta como dono da transportadora G8LOG, usava as distribuidoras Copape e Aster para cometer as fraudes fiscais e a lavagem de dinheiro. O grupo de Mourad inflava os preços entre essas empresas para sonegar impostos e obter créditos tributários ilegais.
A rede de Mourad é extensa e inclui familiares, sócios e até profissionais cooptados para agirem como laranjas. A parte operacional das fraudes era conduzida por laranjas. O suposto comparsa e "vice" de Mourad na organização, Roberto Augusto Leme da Silva, o 'Beto Louco', também é investigado. Ambos estão foragidos e são investigados há mais de uma década pelos crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis.
A Operação Carbono Oculto movimentou cerca de 1.400 agentes de diversas forças de segurança. O Coronel Racorti, que participou da ação, afirma que a operação representa o maior golpe contra o crime organizado no setor financeiro do país, com a expectativa de que o valor total de sonegação possa superar os R$ 40 bilhões.
Mais de mil postos de combustíveis em dez estados estariam envolvidos no esquema, incluindo estabelecimentos de bandeira própria e de duas grandes redes, cujos nomes não foram revelados. Lojas de conveniência e padarias, geralmente ligadas a esses postos, também eram usadas para camuflar a origem do dinheiro.
A operação apreendeu documentos e computadores e realizou buscas e apreensões em diversas localidades.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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