Brasil Urgente

“Sereia do Crime” é presa em operação da polícia na Bahia

A operação focou no "ciclo completo" da organização, atingindo desde a liderança e o setor financeiro até a ponta do tráfico

LUCAS MARTINS

28/11/2025 • 19:13 • Atualizado em 28/11/2025 • 19:13

Resumo

Uma operação policial chamada Operação Rainha do Sol foi realizada na Bahia e em outros quatro estados para investigar a facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), tendo como principal alvo a advogada Poliane, conhecida como "Sereia do Crime".

Poliane é apontada como peça-chave na estrutura da organização, sendo responsável pelo fluxo de drogas e armas, pela comunicação entre células criminosas em diversos estados e pelo transporte de cartas e recados dos líderes presos para gerentes do grupo.

A investigação revelou um esquema de lavagem de dinheiro com lucro do tráfico sendo usado para compra de bens de alto valor, resultando no bloqueio judicial de R$ 100 milhões, apreensão de moto aquática, cavalos de raça, usina de energia solar, ouro, armas e drogas pertencentes ao grupo.

Uma advogada identificada como Poliane, apelidada de "Sereia do Crime", foi o principal alvo de uma megaoperação policial deflagrada na Bahia e em outros quatro estados. A ação, batizada de Operação Rainha do Sol — inspirada na série americana Queen of the South —, investiga a facção criminosa Bonde do Maluco (BDM).

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Poliane é apontada pelas investigações como peça-chave na estrutura da organização. Inicialmente atuando como advogada de defesa de Leandro Fonseca, um dos líderes da facção, ela iniciou um relacionamento amoroso com o detento. A partir desse vínculo, o criminoso teria repassado à advogada toda a articulação das atividades ilícitas fora da cadeia.

Segundo a polícia, a "Sereia do Crime" era responsável pelo fluxo de drogas e armas, além de gerenciar a comunicação entre células criminosas nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Pernambuco.

O "Elo da Liderança"

O diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Denarc), Ernandes Júnior, detalhou o papel da advogada no esquema. Ela transportava os chamados "salves" — recados e cartas escritas pelo líder preso — para os gerentes da facção em Salvador e na Região Metropolitana.

"Ela levava os recados. Foram apreendidos diversos documentos escritos, cartas que eram encaminhadas para os seus gerentes. Nós iremos analisar esse material", afirmou Ernandes Júnior.

A operação focou no "ciclo completo" da organização, atingindo desde a liderança e o setor financeiro até a ponta do tráfico. Além da Bahia, houve cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão no Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Pernambuco. Ao todo, além da advogada, foram presos cinco mulheres e sete homens, todos subordinados a Poliane. Entre os detidos, figuram pessoas que já integraram o "Baralho do Crime" da Secretaria de Segurança Pública.

Lavagem de dinheiro e bloqueio de bens

A Operação Rainha do Sol revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. O lucro do tráfico era utilizado para a compra de bens de alto valor e até empreendimentos.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 100 milhões nas contas dos investigados. Entre os bens sequestrados pela polícia estão:

  • Moto aquática;
  • Cavalos de raça;
  • Uma usina de energia solar.

Além destes itens, a operação também mirou a apreensão de ouro, armas e drogas sob posse do grupo criminoso.