
Morumbi, estádio do São Paulo
Felipe Santos/Ceará SC
O Ministério Público e a Polícia Civil cumpriram, nesta quarta-feira (21), quatro mandados de busca e apreensão para investigar um esquema de venda irregular de camarotes e ingressos para shows no Estádio do Morumbi.
Entre os alvos da operação está o apartamento de Mara Casares, ex-mulher do presidente afastado do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares. A investigação aponta que o estádio teria sido utilizado para movimentações ilícitas envolvendo eventos de grande porte, como a apresentação da cantora Shakira realizada em fevereiro de 2025.
De acordo com o promotor de Justiça Criminal, José Reinaldo Guimarães Carneiro, a estrutura do clube foi explorada de maneira indevida. O promotor afirma que o Estádio do Morumbi acabou transformado em uma "gigantesca máquina caça-níqueis".
As autoridades informaram que a operação resultou na apreensão de R$ 28 mil em espécie e de uma vasta documentação que sugere que as irregularidades ocorrem há mais tempo do que o inicialmente previsto.
Origem das investigações e envolvidos
O caso começou a ser apurado após uma disputa judicial iniciada por Rita de Cássia Adriana Prado, um dos alvos da operação atual. Rita teria acionado a Justiça após o suposto roubo de 60 ingressos para o show da Shakira, um lote avaliado em aproximadamente R$ 132 mil. A partir desse processo, surgiram indícios de que o espaço estaria sendo comercializado de forma irregular com a participação de membros do clube.
Áudios obtidos pelo jornalista Alexandre Praetzel, da Rádio Bandeirantes, revelam que Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, teria solicitado a Rita que retirasse a ação judicial.
O objetivo da manobra seria evitar que Mara Casares fosse prejudicada pelas investigações. Durante as diligências desta quarta-feira, nem Rita nem Douglas foram localizados em seus endereços, mas o Ministério Público confirmou que todos os mandados de busca foram devidamente cumpridos.
Posicionamento dos citados
Em nota oficial, o São Paulo Futebol Clube afirma que se considera vítima no processo e garante que contribuirá com as autoridades para a elucidação dos fatos. A defesa de Mara Casares declarou surpresa com a medida cautelar e criticou a operação, classificando-a como uma tentativa de exposição midiática abusiva contra sua cliente e familiares. O texto reforça, entretanto, o compromisso de Mara em colaborar com a Justiça.
A defesa de Douglas Schwartzmann informou que o dirigente está em viagem profissional ao exterior. Os advogados alegam que a operação teve a finalidade de constrangê-lo, sustentando que a polícia teria ciência de sua ausência no país. A defesa de Rita de Cássia Adriana Prado não foi localizada para comentar o caso até o fechamento desta reportagem.
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