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SPFC: Estrutura do clube foi explorada de maneira indevida, diz promotor

Operação do Ministério Público mira ex-mulher de Julio Casares e ex-diretor do São Paulo por esquema em shows; R$ 28 mil em espécie foram apreendidos

Rafael Batalha
RAFAEL BATALHA

21/01/2026 • 17:07 • Atualizado em 21/01/2026 • 17:07

Morumbi, estádio do São Paulo

Morumbi, estádio do São Paulo

Felipe Santos/Ceará SC

O Ministério Público e a Polícia Civil cumpriram, nesta quarta-feira (21), quatro mandados de busca e apreensão para investigar um esquema de venda irregular de camarotes e ingressos para shows no Estádio do Morumbi.

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Entre os alvos da operação está o apartamento de Mara Casares, ex-mulher do presidente afastado do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares. A investigação aponta que o estádio teria sido utilizado para movimentações ilícitas envolvendo eventos de grande porte, como a apresentação da cantora Shakira realizada em fevereiro de 2025.

De acordo com o promotor de Justiça Criminal, José Reinaldo Guimarães Carneiro, a estrutura do clube foi explorada de maneira indevida. O promotor afirma que o Estádio do Morumbi acabou transformado em uma "gigantesca máquina caça-níqueis".

As autoridades informaram que a operação resultou na apreensão de R$ 28 mil em espécie e de uma vasta documentação que sugere que as irregularidades ocorrem há mais tempo do que o inicialmente previsto.

Origem das investigações e envolvidos

O caso começou a ser apurado após uma disputa judicial iniciada por Rita de Cássia Adriana Prado, um dos alvos da operação atual. Rita teria acionado a Justiça após o suposto roubo de 60 ingressos para o show da Shakira, um lote avaliado em aproximadamente R$ 132 mil. A partir desse processo, surgiram indícios de que o espaço estaria sendo comercializado de forma irregular com a participação de membros do clube.

Áudios obtidos pelo jornalista Alexandre Praetzel, da Rádio Bandeirantes, revelam que Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, teria solicitado a Rita que retirasse a ação judicial.

O objetivo da manobra seria evitar que Mara Casares fosse prejudicada pelas investigações. Durante as diligências desta quarta-feira, nem Rita nem Douglas foram localizados em seus endereços, mas o Ministério Público confirmou que todos os mandados de busca foram devidamente cumpridos.

Posicionamento dos citados

Em nota oficial, o São Paulo Futebol Clube afirma que se considera vítima no processo e garante que contribuirá com as autoridades para a elucidação dos fatos. A defesa de Mara Casares declarou surpresa com a medida cautelar e criticou a operação, classificando-a como uma tentativa de exposição midiática abusiva contra sua cliente e familiares. O texto reforça, entretanto, o compromisso de Mara em colaborar com a Justiça.

A defesa de Douglas Schwartzmann informou que o dirigente está em viagem profissional ao exterior. Os advogados alegam que a operação teve a finalidade de constrangê-lo, sustentando que a polícia teria ciência de sua ausência no país. A defesa de Rita de Cássia Adriana Prado não foi localizada para comentar o caso até o fechamento desta reportagem.

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