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Tráfico na fronteira de Rondônia tem olheiros e pacto entre PCC e CV

Equipe de reportagem é monitorada por olheiros do PCC e Comando Vermelho na fronteira de Rondônia com a Bolívia

Felipe Garraffa
FELIPE GARRAFFA

04/08/2026 • 19:33 • Atualizado em 04/08/2026 • 19:34

Uma reportagem exclusiva revelou como facções criminosas atuam na fronteira entre Rondônia e a Bolívia. Durante os trabalhos na região de Guajará-Mirim (RO), a equipe de reportagem foi monitorada por olheiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Os informantes trocavam mensagens em aplicativos para alertar sobre a presença das forças de segurança e da imprensa no local.

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Segundo o repórter Felipe Garraffa, a equipe retornou em segurança do lado boliviano. Com o apoio da Polícia Militar de Rondônia, a equipe recebeu alertas da inteligência do Estado de que estava sob vigilância de integrantes do crime organizado. Os olheiros repassavam localizações exatas de viaturas e agentes, recomendando a interrupção temporária das atividades ilegais na área.

Prisão de foragido e atuação na fronteira

Durante as operações de fiscalização na região, as autoridades prenderam um suspeito de ser integrante de uma das facções. De acordo com o tenente Cassiano, da Polícia Militar de Rondônia, o homem é oriundo do Rio Grande do Norte e estava foragido da Justiça há cerca de 11 anos.

Ao dar entrada no Hospital Regional de Guajará-Mirim com um ferimento por arma de fogo no peito, o suspeito solicitou às autoridades não ser encaminhado a uma cela com membros do Comando Vermelho. Ele alegou pertencer ao PCC, evidenciando as rivalidades e a divisão de territórios dentro do sistema prisional e nas rotas de tráfico.

A região fronteiriça possui mais de 1.300 quilômetros de extensão, marcada por rios e vastos vazios demográficos que dificultam a fiscalização permanente. Essa geografia favorece a criação de rotas clandestinas para o envio de veículos roubados e a entrada de cocaína no território brasileiro.

Estratégias e combate ao crime organizado

Para conter o avanço do tráfico e a ação dos olheiros, as forças de segurança de Rondônia buscam intensificar o uso de tecnologia e integrar ações de inteligência. Segundo o secretário de Segurança de Rondônia, coronel Hélio Pachá, o Estado formaliza parcerias e troca informações com autoridades da Bolívia para realizar prisões e apreensões nos pontos críticos de passagem.

O secretário informou ainda que o Estado está em fase de aquisição de lanchas blindadas. Os equipamentos serão destinados a municípios estratégicos, como Guajará-Mirim e Costa Marques, com o objetivo de reforçar o patrulhamento fluvial e combater os crimes transfronteiriços na Amazônia.