
BRICS
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“Brics Pay é verdade?” está entre as perguntas mais feitas no Google nesta terça-feira (24) dentro da busca “é verdade?”, segundo levantamento da Sala Digital.
O interesse do brasileiro reflete a curiosidade e o ceticismo em torno de uma promessa que soa ambiciosa: um sistema de pagamentos capaz de conectar países como Brasil, Rússia, China e Índia, permitindo transações sem a necessidade de conversão para o dólar.
Brics Pay é verdade?
Sim, o Brics Pay existe e é um projeto oficial, mas ele não é exatamente uma "moeda única" e ainda enfrenta etapas burocráticas importantes para funcionar plenamente no bolso do cidadão comum.
O que é o Brics Pay?
O Brics Pay não é uma moeda, mas sim um ecossistema digital de pagamentos descentralizado. Ele foi criado para facilitar transações comerciais e de turismo entre as nações do bloco (BRICS+), permitindo que brasileiros paguem em reais e chineses recebam em yuans, por exemplo, eliminando intermediários ocidentais.
A tecnologia por trás do sistema é o DCMS (Decentralized Cross-Border Messaging System), uma alternativa ao sistema SWIFT (usado globalmente para transferências bancárias). Diferente do SWIFT, que é centralizado, o Brics Pay funciona via blockchain, onde cada país controla sua própria rede, tornando o sistema imune a sanções externas.
A conexão brasileira: o "Pix do BRICS"
Um dos motivos para o engajamento dos brasileiros é a semelhança do projeto com o nosso Pix. O sucesso da ferramenta no Brasil, que movimentou R$ 7 trilhões no início de 2025, serviu de referência técnica para o Brics Pay. O objetivo é que, no futuro, um turista brasileiro possa usar o QR Code do seu banco nacional para pagar um café em Moscou ou Pequim.
Inclusive, já existem aplicativos como o BRICS Pay Wallet em lojas digitais, que funcionam como carteiras para ativos digitais e criptomoedas, embora a integração total com bancos centrais ainda esteja em fase de testes.
É verdade que ele já substituiu o dólar?
Ainda não. Embora tenha passado por testes bem-sucedidos em outubro de 2024, durante o Fórum Empresarial em Moscou — onde participantes usaram cartões de demonstração com QR Code para compras reais —, o sistema está em fase de lançamento e expansão (2025-2027).
É fundamental separar dois conceitos que costumam gerar confusão:
- Brics Pay: O sistema de pagamento (a "estrada" digital).
- The Unit: Uma proposta distinta de uma unidade de conta lastreada em ouro (40%) e moedas locais (60%), que ainda é um projeto piloto e não foi oficialmente adotada como moeda comum.
Onde mora a dúvida: o consenso e o Banco Central
Apesar do avanço técnico, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Conselho Empresarial do BRICS esclarecem que o projeto ainda consta como "em discussão". Para que o Brics Pay se torne uma realidade cotidiana no Brasil, ele precisa de validação dos reguladores nacionais, como o Banco Central do Brasil, que até o momento acompanha o debate de forma preliminar, sem decisões formais de implementação em larga escala.
Além disso, há resistências internas. Países como a Índia e a Arábia Saudita mostram-se cautelosos em adotar sistemas que possam desestabilizar o "petrodólar" ou criar uma governança excessivamente centralizada.
O que esperar?
O Brics Pay é uma ferramenta real de desdolarização e autonomia financeira. A meta é que, até o final de 2026, as moedas digitais de bancos centrais (como o Drex no Brasil e o yuan digital na China) estejam interconectadas pela plataforma.
Para o brasileiro que pesquisa "é verdade?", a conclusão é: o sistema está sendo construído e já funciona em ambientes controlados, mas sua chegada ao seu aplicativo de banco depende de acordos políticos e diplomáticos que ainda estão sobre a mesa de negociações.
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