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Alimentação inadequada e ultraprocessados elevam risco de câncer

Estimativas apontam 33,5 milhões de novos diagnósticos no mundo até 2050; oncologista alerta para o impacto da dieta na imunidade e na resposta a tratamentos

Da redação
DA REDAÇÃO

14/06/2026 • 18:11 • Atualizado em 14/06/2026 • 18:12

O oncologista Antonio Buzardi durante o Canal Livre

O oncologista Antonio Buzardi durante o Canal Livre

Reprodução/Band

O avanço do câncer consolida-se como um dos principais desafios de saúde pública global, com registros anuais que atingem a marca de 20 milhões de novos casos e provocam 10 milhões de mortes em todo o mundo. No cenário nacional, o Brasil contabiliza 700 mil novos diagnósticos a cada ano.

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Conforme discutido durante o Canal Livre deste domingo (14), as projeções científicas para o comportamento da doença apontam que, até o ano de 2050, a incidência global deve alcançar 33,5 milhões de novos casos anuais, impulsionada por transformações nos hábitos de vida e pelo envelhecimento populacional.

Entre os homens, os tumores mais frequentes compreendem o câncer de próstata, o colorretal, o de pulmão, o de estômago e o de cavidade oral. Já a população feminina apresenta maior prevalência de diagnósticos de câncer de mama, seguido pelos tumores colorretais, de colo do útero, de pulmão e de tireoide.

Impacto dos hábitos e da dieta na imunoterapia

A evolução histórica dos dados epidemiológicos comprova que a ação humana e as mudanças socioculturais interferem diretamente no surgimento de tumores. O exemplo histórico mais consolidado fundamenta-se no tabagismo. Até o início do século XX, o câncer de pulmão em indivíduos não fumantes configurava uma condição médica rara.

O aumento expressivo da enfermidade ocorreu em paralelo à popularização do cigarro, embora a correlação científica definitiva entre o fumo e o desenvolvimento de tumores pulmonares e cardiovasculares tenha sido estabelecida e aceita apenas na década de 1950.

Atualmente, as pesquisas indicam que cerca de um terço de todos os diagnósticos de câncer decorrem de dietas inadequadas, com destaque para o consumo de produtos ultraprocessados.

De acordo com o oncologista Antonio Buzardi, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, a ingestão excessiva de açúcares, farinha branca e gorduras saturadas eleva os níveis de insulina no organismo — um hormônio considerado pró-câncer —, além de estimular a proliferação de bactérias nocivas no intestino, que liberam substâncias capazes de suprimir o sistema imunológico.

O controle rigoroso da alimentação demonstra impacto direto inclusive em pacientes que já estão com o diagnóstico da doença instalado e em tratamento ativo.

Em protocolos de imunoterapia voltados para o manejo do melanoma metastático, por exemplo, onde os índices de cura giram em torno de 40%, a readequação nutricional baseada em alimentos naturais e ricos em fibras atua como um estimulante para a resposta imunológica do organismo.

A recomendação especializada preconiza o consumo diário de aproximadamente 50 gramas de fibras, priorizando hortaliças, legumes verdes e frutas, em detrimento de alimentos de alto índice glicêmico, como o pão francês e o arroz branco.

No grupo das proteínas, as carnes brancas, peixes e frutos do mar são apontados como escolhas mais favoráveis por não estimularem processos inflamatórios no corpo, ao contrário do consumo frequente de carne vermelha e embutidos.