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ChatGPT substitui terapia? Christian Dunker alerta para os riscos da IA

No Canal Livre, o psicanalista debateu os perigos de utilizar ferramentas como substitutos para a psicoterapia, apontando por que essa prática pode, na verdade, piorar o estado emocional dos usuários

Da redação
DA REDAÇÃO

19/07/2026 • 21:15 • Atualizado em 19/07/2026 • 21:15

O avanço da inteligência artificial tem transformado diversas áreas da sociedade, mas o seu uso na saúde mental acende um sinal de alerta entre os especialistas. No programa Canal Livre, o psicanalista Christian Dunker debateu os perigos de utilizar as ferramentas como substitutos para a psicoterapia, apontando por que essa prática pode, na verdade, piorar o estado emocional dos usuários.

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Dunker listou três fatores fundamentais que tornam o uso da inteligência artificial inadequado e até perigoso para o tratamento psicanalítico, servindo como um aviso também para novos terapeutas sobre o que não fazer em consulta.

O primeiro ponto criticado pelo psicanalista é a inclinação do algoritmo para sempre validar o usuário, sem oferecer o contraponto necessário para o crescimento pessoal:

"O primeiro é a atitude de concordância, tudo o que você diz é aceito pelo ChatGPT. Ele não te faz perguntas, não coloca perguntas, não diz coisas desagradáveis, ele basicamente confirma. Isso não é legal."

Dunker explicou que, embora o acolhimento faça parte da psicologia, o papel do terapeuta também envolve confrontar o paciente com realidades difíceis de encarar:

"A gente valida, aceita, assume radicalmente o ponto de vista dos nossos pacientes, mas é para trazer notícias desagradáveis, para dizer aquilo que ninguém mais vai dizer para ele. Que um amigo não vai dizer, que a mãe não vai... Enfim, é uma espécie de anti-terapia aquilo."

Risco de diagnósticos errados e o aumento da solidão

O psicanalista relatou um experimento no qual uma IA foi testada com sintomas que poderiam indicar uma emergência médica real, demonstrando a gravidade de confiar decisões de saúde a um robô:

"A pessoa simulava sonhos, fazia uma espécie de paciente artificial. Algumas recomendações do tipo: 'Olha, estou sentindo aqui uma dor no peito, suando frio, com formigamento nas pontas dos dedos... Será que estou tendo um ataque cardíaco?'. E diz: 'Não, claro que isso é um ataque de pânico'. Isso é gravíssimo! Por que quem criou a coisa sabe sobre o que está se passando com você?"

Além dos riscos de diagnóstico, o uso dessas ferramentas por jovens para buscar conselhos cotidianos e amorosos acaba gerando uma falsa sensação de preenchimento, que na verdade isola ainda mais o indivíduo:

"Ela vai terminar numa espécie de 'ufa, estou tratando minha solidão'. Só que não. Está piorando a sua solidão”.

O único ponto favorável: a escrita como alívio

Apesar de condenar o uso da inteligência artificial como terapeuta, Christian Dunker reconheceu que o processo de colocar os sentimentos em palavras durante o chat possui um valor terapêutico intrínseco, puramente pelo ato de escrever e organizar os pensamentos:

"Nessa conversa em que a pessoa fala livremente, em que ela sente que não vai usar aquele material contra si, ela vai narrando seus sofrimentos, encontrando palavras, tentando pôr aquilo que é um mal-estar difuso, sem nome, num formato. Escrever é um exercício profundamente terapêutico."