Canal Livre

Como o consumo de redes sociais pode expor jovens a riscos? Entenda

Uso dessas ferramentas coloca esse público no centro de um sistema onde decisões, notícias e interações sociais são compartilhadas de maneira contínua e acelerada

Da redação
DA REDAÇÃO

19/07/2026 • 21:16 • Atualizado em 19/07/2026 • 21:16

Um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva revela um cenário de intensa exposição digital entre jovens brasileiros de 10 a 15 anos. Com 98% de conectividade à internet, essa faixa etária apresenta um comportamento online que provoca debates sobre segurança e privacidade.

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A pesquisa destaca que 72% desses jovens utilizam ativamente as redes sociais, o que equivale a dizer que um em cada três adolescentes estão inseridos nesses ambientes digitais. O uso intenso dessas ferramentas coloca esse público no centro de um sistema onde decisões, notícias e interações sociais são compartilhadas de maneira contínua e acelerada.

Segundo a análise apresentada no programa Canal Livre, essa imersão constante confunde as fronteiras entre a esfera pública e a privada. "Esse novo regime de linguagem confundiu muito esfera pública e esfera privada", avalia o psicanalista Christian Dunker, autor do livro Mal-Estar, Sofrimento e Sintoma: Uma Psicopatologia do Brasil entre Muros.

Vulnerabilidades e riscos digitais

Além da conectividade, o levantamento aponta dados que reforçam a necessidade de um acompanhamento mais próximo por parte de pais e responsáveis:

  • Exposição pessoal: Seis em cada dez jovens compartilham informações pessoais na rede.
  • Falta de controle: 47% dos adolescentes não exercem controle sobre quem os segue em seus perfis.

Para Dunker, essa dinâmica cria um risco subjetivo elevado. "Você fala uma coisa, nesse contexto, com sua amiga, com seu namorado e depois o seu nude vai parar contra você", explica o especialista ao comentar sobre a exposição a que esses jovens se submetem.

A necessidade de mediação

O debate entre os participantes do Canal Livre enfatizou que pais e filhos enfrentam dificuldades em estabelecer um caminho comum de comunicação. O ambiente digital é visto como um mundo onde tudo é noticiado e compartilhado, mas muitas vezes falta a educação necessária para lidar com as diferenças e os riscos inerentes a essa cultura do excesso de estímulo.

“Você acha que isso aqui é uma coisa privada, como se fosse um telefone. Não é. A gente simplesmente não sabe como lidar com isso”, afirma Dunker. O psicanalista ressalta que é fundamental que adultos participem e mediem o que está acontecendo nesse universo digital, que muitos ainda tratam erroneamente como um espaço privado, quando na verdade possui características muito mais públicas e permanentes do que se imagina.