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Estado perde espaço para crime organizado em guerra assimétrica, avalia Ivana David

Para a desembargadora, facções avançam em tecnologia e finanças enquanto instituições ficam limitadas por entraves legais

Da redação
DA REDAÇÃO

20/09/2025 • 17:45 • Atualizado em 20/09/2025 • 17:45

Desembargadora Ivana David

Desembargadora Ivana David

Canal Livre

O Estado brasileiro não conseguiu acompanhar a evolução do crime organizado, avalia a desembargadora Ivana David. Em entrevista ao Canal Livre, que vai ao ar neste domingo (20), ela afirma que a diferença entre os limites legais impostos às instituições e a liberdade com que as facções atuam cria uma guerra assimétrica que coloca o país em desvantagem.

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De acordo com Ivana, enquanto criminosos não respeitam regras, portam armas sem restrições e utilizam novas ferramentas financeiras e tecnológicas, o Ministério Público, a polícia e o Judiciário enfrentam barreiras constitucionais e processuais que restringem a velocidade e a eficácia das investigações.

Facções expandem atuação e dominam tecnologia

A desembargadora cita o exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC), que já atua fora do Brasil e utiliza fintechs da região da Faria Lima, em São Paulo, para lavar dinheiro do tráfico de combustíveis. Segundo ela, essas operações avançam em áreas que a maioria da população sequer compreende, mas nas quais o crime organizado consegue movimentar recursos globalmente.

Ivana ressalta que facções como o PCC e o Comando Vermelho têm presença em praticamente todo o território nacional. “O crime está sempre à nossa frente em tudo: na conduta criminosa, no uso da tecnologia, no uso de fintechs”, afirma.

Descompasso e necessidade de resposta institucional

O descompasso entre a velocidade de adaptação das facções e os limites institucionais do Estado resulta na perda de espaço para o crime. Para Ivana, essa realidade desafia o sistema de justiça brasileiro, que precisa investir em tecnologia, modernizar a legislação e fortalecer as polícias.

A magistrada defende que não se trata de eliminar o crime organizado, mas de recuperar a força do Estado diante das facções. “O desafio é retomar a capacidade do Estado que foi perdida”, conclui.

Com uma população de mais de 212 milhões de habitantes e território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, Ivana reforça que a magnitude do país torna ainda mais urgente a adoção de medidas para equilibrar a disputa com organizações criminosas.