
Ex-secretário nacional de segurança pública General Santos Cruz
Reprodução/Canal Livre
O ex-secretário nacional de segurança pública, General Santos Cruz, defendeu que a iniciativa de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro deve partir do Governo Federal.
Em entrevista ao Canal Livre, ele evitou usar o termo Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que, segundo ele, foi "politizado", mas cobrou um plano de ação federal com "operações conjuntas".
Questionado pelo jornalista Fernando Mitre sobre a GLO ser um "caminho inevitável" para enfrentar a "guerra irregular" no Rio, Santos Cruz minimizou a nomenclatura. "Independente se vamos chamar de GLO, se vamos chamar de operações conjuntas, a iniciativa tem que ser do governo federal", afirmou.
Para o general, o governo central já possui os instrumentos necessários para agir. "Ele [o Governo Federal] tem autoridade para isso, mesmo com a legislação, ele não tem impedimento de legislação. O presidente tem autoridade", disse. Ele destacou que a União tem "recursos para estabelecer planejamentos conjuntos, execuções conjuntas" e "condições de destinar recursos" aos estados que aderirem ao plano.
Apoio militar e treinamento
Santos Cruz é um defensor de ações que unam as Forças Armadas e as polícias estaduais. "Existem ações conjuntas de Força Armada com polícia que dão muito certo, eu tive a oportunidade de fazer muitas, dá certo", relembrou.
Ele argumenta que o uso de força superior é, na verdade, um fator de dissuasão que pode reduzir a violência no confronto. "Quanto mais força for usada, menos estímulo você dá para reação", analisou. "Quanto mais a sua força é muito superior à força do crime organizado, ela inibe a reação".
Neste modelo, segundo o general, a polícia poderia executar seu trabalho com mais segurança. "O que a gente viu foi combate em área urbana. Uma polícia heroica", disse. Ele, no entanto, ponderou que o "combate" não é o "metiê" (a especialidade) da polícia, mas sim da "área militar".
O general também ressaltou a importância do preparo. "É muito importante o treinamento, os ensaios para as operações, para evitar, para diminuir o dano colateral".
"Governo incompetente e corrupção"
O ex-secretário foi duro ao diagnosticar as causas da crise de segurança.
Por que que há 20, 30 anos que esse crime organizado se estabeleceu? Por causa de governo incompetente, de corrupção
Para ele, é "fundamental" atuar também "nas ligações da corrupção com o crime organizado". Ele criticou o que chamou de "estado omisso" que, por décadas, "deixou o crime tomar conta das comunidades, submeter as suas populações".
Santos Cruz alertou que a eficiência do Estado não será medida apenas pela operação policial. "Nós vamos ver a eficiência do estado não é na operação", disse. O verdadeiro teste, segundo ele, é o que acontece depois. "Nós temos que ver o que que vai acontecer daqui a 15 dias".
Ele questionou se, após a saída das tropas, haverá melhorias reais para a população: "Se melhorou as atividades na escola, se a escola tem merenda escolar, se o professor não precisa pedir permissão para bandido para subir para dar aula, se o posto de saúde tem remédio, médico e medicamento, se o transporte público tá funcionando".
Alerta contra "exploração política"
O general também fez um alerta sobre a "movimentação política muito grande para politizar isso tudo aí, no início de um ano eleitoral". Embora considere que existam "consequências eleitorais naturais", ele criticou a "tendência de exploração política" do tema.
Ele concluiu cobrando determinação e transparência dos governos federal e estaduais para levar "benefício à comunidade". "A polícia não pode pagar a conta toda da ineficiência histórica do estado. Ela tá tentando fazer a parte dela. Mas isso aí precisa ser muito, bastante aperfeiçoado", finalizou.
*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pelo Band.com.br.
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