
Rubens Barbosa foi convidado do Canal Livre
Reprodução/Canal Livre
O Brasil precisa calibrar sua política externa para evitar que a preferência por ideologias comprometa a percepção internacional sobre o país. Segundo o ex-embaixador Rubens Barbosa, convidado do Canal Livre deste domingo (8), o grande problema atual reside na visão externa de que o Brasil está tomando partido em disputas globais, o que ele considera negativo para o interesse nacional.
Rubens Barbosa afirma que o país deveria adotar uma posição de equidistância, citando a Índia como o exemplo de política externa mais adequada para o momento atual.
Para ele, a estratégia indiana de manter presença em "todas as canoas" sem alinhamento automático a nenhuma potência é o caminho que o Brasil deveria trilhar para proteger sua economia.
Equilíbrio comercial e riscos ideológicos
A análise de Rubens Barbosa destaca a disparidade entre investimentos e trocas comerciais. Embora o investimento dos Estados Unidos no Brasil seja grande, o comércio bilateral representa apenas 11%, enquanto a Ásia concentra 50% das exportações brasileiras. Por isso, o embaixador ressalta que as reações diplomáticas precisam ser calculadas para não isolar o país de seus principais parceiros econômicos.
Emanuel Pessoa, doutor em direito econômico e colunista da Rádio Bandeirantes, corrobora a visão de que a ideologia trava o desenvolvimento. Ele aponta que, embora as commodities garantam fluxo de caixa imediato, a dependência excessiva de um único comprador, como a China, aliada à insegurança jurídica e ao sistema tributário complexo, impede que o Brasil receba investimentos de alta tecnologia.
O potencial logístico e o futuro econômico
Para os especialistas, o Brasil desperdiça vantagens competitivas estratégicas. Emanuel Pessoa menciona que o pré-sal brasileiro poderia atrair centenas de bilhões de dólares devido ao seu baixo custo de extração e rotas logísticas que evitam zonas de conflito, como o Estreito de Hormuz.
Pessoa projeta que, caso supere as barreiras da burocracia e da instabilidade jurídica, o Brasil pode se tornar a segunda maior economia do Ocidente até 2075. No entanto, ambos os debatedores concordam que o sucesso desse crescimento depende de o país se apresentar como um porto seguro para capitais de todos os lados, focando na neutralidade e na eficiência em vez de pautas ideológicas.
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