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Irã descarta trégua e alerta EUA a resposta militar e alcance de mísseis

Araghchi acusa Washington e Tel Aviv de ataques a civis e confirma cooperação com Rússia em entrevista ao Meet the Press

Da redação
DA REDAÇÃO

08/03/2026 • 13:31 • Atualizado em 08/03/2026 • 13:31

Abbas Araghchi durante entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, domingo (8)

Abbas Araghchi durante entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, domingo (8)

Reprodução/NBC News

"Precisamos continuar lutando pelo bem do nosso povo", disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ao programa Meet the Press da NBC News, neste domingo (8), rejeitando pedidos internacionais de cessar-fogo no Oriente Médio e acusando Estados Unidos e Israel de ataques a civis.

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Em entrevista, Araghchi afirmou que os ataques de Washington e Tel Aviv “estão matando nossa população, atacando estudantes e hospitais” e criticou a repetição de pedidos de trégua. “Já houve um cessar-fogo para encerrar a guerra de 12 dias do ano passado, que foi quebrado. Agora querem pedir cessar-fogo de novo? Isso não funciona assim”, declarou.

Segundo ele, o Irã só considera aceitável uma solução que encerre permanentemente o conflito, mas, enquanto isso não ocorrer, continuará com ações militares para proteger sua população e sua segurança.

O ministro confirmou que existe cooperação com a Rússia, sem detalhar se inclui fornecimento de inteligência sobre forças americanas. “Cooperação entre Irã e Rússia não é novidade, não é segredo. Eles estão nos ajudando de muitas maneiras, mas não tenho informações detalhadas”, disse Araghchi ao programa Meet the Press, da NBC News.

Fontes da emissora informaram que Moscou estaria compartilhando dados sobre a localização de tropas e navios dos Estados Unidos na região, informação que poderia apoiar operações iranianas.

Araghchi também afirmou que os ataques do Irã não têm como alvo os países vizinhos. “Estamos atacando bases, instalações e ativos americanos, que infelizmente estão em solo de nossos vizinhos. O presidente Masoud Pezeshkian pediu desculpas à população da região pelos transtornos causados pela agressão dos EUA e nossa retaliação”, explicou.

Ele acrescentou que, caso os Estados Unidos enviem tropas terrestres para o Irã, o país tem “soldados muito corajosos prontos para combater, destruir e eliminar qualquer inimigo que entre em nosso território”.

O ministro contestou ainda afirmações de Donald Trump de que o Irã teria mísseis capazes de atingir o território americano. “Temos capacidade para produzir mísseis, mas limitamos intencionalmente o alcance a menos de 2 mil quilômetros para não ser percebido como ameaça por ninguém no mundo.”

Em paralelo, a Assembleia de Especialistas iraniana teria escolhido um novo líder supremo após a morte do aiatolá Ali Khamenei, segundo a mídia estatal. Araghchi, porém, não deu detalhes sobre o sucessor. “Ninguém sabe. Há muitos rumores, mas temos que esperar a Assembleia se reunir. Não permitiremos interferência em nossos assuntos internos. Isso é decisão do povo iraniano.”

O governo americano mantém a pressão sobre Teerã. Trump declarou em sua rede social Truth Social que não negociará com o Irã “exceto sob rendição incondicional”, enquanto o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, comentou que qualquer apoio russo ao Irã não alterou a superioridade militar dos Estados Unidos na região.

“O Exército dos EUA tem destruído a força aérea, defesa, marinha e comando do Irã. Então qualquer assistência fornecida, se houver, não tem sido muito eficaz”, disse Waltz, em entrevista à NBC News.

A entrevista de Araghchi evidencia que o Irã mantém postura firme diante da escalada de tensões no Oriente Médio, reafirmando retórica militar e política enquanto a comunidade internacional tenta evitar uma conflagração regional ainda mais ampla.