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Presidente do Irã pede desculpas e promete suspender ataques a vizinhos

Masoud Pezeshkian afirma que ofensivas só continuarão se países da região atacarem o Irã

Da redação
DA REDAÇÃO

07/03/2026 • 07:13 • Atualizado em 07/03/2026 • 07:13

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas neste sábado (7) aos países vizinhos atingidos por ataques iranianos durante a escalada militar no Oriente Médio e afirmou que Teerã pretende suspender ofensivas contra esses territórios, salvo se novas agressões partirem deles.

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“Peço desculpas pessoalmente aos países vizinhos que foram afetados pelas ações do Irã”, disse Pezeshkian em discurso transmitido pela televisão estatal iraniana.

Segundo ele, o conselho de liderança interino aprovou que as forças armadas deixem de atacar países próximos ou lançar mísseis contra esses territórios, a menos que ataques contra o Irã tenham origem nesses locais. As declarações foram reportadas pelas agências Reuters, Associated Press e pelo jornal The Guardian.

A fala ocorre enquanto o conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos entra na segunda semana e já se espalhou por vários países da região. Segundo a Reuters, Teerã respondeu aos ataques americanos e israelenses lançando drones e mísseis contra Israel e também contra países do Golfo que abrigam bases militares dos Estados Unidos.

Nos últimos dias, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, Bahrein e Arábia Saudita relataram ataques ou interceptações de drones e mísseis, muitos deles direcionados a infraestrutura civil, como portos, hotéis e instalações de petróleo, ainda de acordo com a agência.

Ataques continuam após declaração

Apesar do anúncio de suspensão das ofensivas contra países vizinhos, novos ataques foram registrados poucas horas depois da declaração. Segundo a Associated Press, uma onda de drones e mísseis iranianos interrompeu voos no aeroporto internacional de Dubai e provocou alertas de defesa aérea em países do Golfo.

Na Arábia Saudita, autoridades disseram ter destruído drones que seguiam em direção ao campo petrolífero de Shaybah e interceptado um míssil lançado contra a base aérea Prince Sultan, que abriga forças americanas. Em Bahrein, sirenes de alerta também foram acionadas após ataques direcionados ao país, informou a AP.

Em Dubai, passageiros chegaram a ser conduzidos para túneis e áreas protegidas do aeroporto após explosões serem ouvidas nas proximidades. A companhia aérea Emirates chegou a suspender temporariamente os voos antes de retomar as operações, segundo a agência.

Guerra pressiona mercados de energia

O conflito também elevou a tensão nos mercados globais de energia. Segundo a Reuters, cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa diariamente pelo estreito de Ormuz, rota estratégica entre o Golfo Pérsico e o oceano Índico.

Autoridades da região alertam que a escalada militar pode afetar o fluxo de petróleo e gás. Em entrevista ao Financial Times, o ministro da Energia do Qatar, Saad al-Kaabi, afirmou que a guerra pode provocar uma paralisação das exportações energéticas do Golfo e “derrubar economias ao redor do mundo”. O preço do barril de petróleo americano ultrapassou US$ 90 pela primeira vez em mais de dois anos.

Trump exige rendição do Irã

Em paralelo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a exigir a “rendição incondicional” do Irã como condição para negociações. A declaração foi publicada na rede Truth Social e ocorre ao mesmo tempo em que o governo americano aprovou uma nova venda de armas de US$ 151 milhões para Israel, de acordo com a AP.

Autoridades americanas também alertaram que uma campanha de bombardeios ainda mais intensa pode ocorrer nos próximos dias. Pezeshkian respondeu diretamente às declarações de Trump. “Esse é um sonho que eles devem levar para o túmulo”, afirmou o presidente iraniano, segundo a Associated Press.

Mortes e expansão do conflito

O conflito já deixou centenas de mortos e milhares de feridos na região. Segundo autoridades citadas pela Associated Press, ao menos 1.230 pessoas morreram no Irã, mais de 200 no Líbano e 11 em Israel desde o início da guerra. Seis militares americanos também foram mortos.

Israel afirmou ter iniciado uma nova onda de bombardeios contra infraestrutura em Teerã, enquanto o grupo Hezbollah relatou confrontos com tropas israelenses no leste do Líbano, ainda segundo a AP.

Analistas ouvidos pela rede Al Jazeera avaliam que o pedido de desculpas de Pezeshkian pode representar um gesto limitado de desescalada em meio ao agravamento do conflito, embora ainda não esteja claro se a decisão será seguida pelas forças armadas iranianas, que possuem autonomia significativa dentro do sistema político do país.