A cotação internacional do petróleo voltou a ser o centro das atenções do mercado financeiro mundial nesta sexta-feira (6). Tanto o barril do tipo Brent quanto o West Texas Intermediate (WTI) ultrapassaram a marca de US$ 90, impulsionados por uma escalada de tensões no Oriente Médio que já se estende por sete dias. O cenário gera preocupação sobre o abastecimento global e acende o alerta para um possível efeito dominó na economia.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 12,20% (US$ 9,89), a US$ 90,90. Já o Brent para maio avançou 8,52% (US$ 7,28), a US$ 92,69 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
O tráfego pelo Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo do mundo, segue como o grande elemento para o mercado, enquanto as tensões avançam e soluções diplomáticas seguem distantes. Neste cenário, o valor simbólico de US$ 100 o barril se aproxima.
Estima-se que, com o fechamento efetivo do estreito por sete dias, cerca de 140 milhões de barris de petróleo não puderam chegar ao mercado.
De acordo com Marina Prieto, professora e coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Estácio, o avanço reflete uma combinação de fatores sensíveis.
"O patamar elevado reflete tensões geopolíticas, cortes na produção e expectativas de crescimento da demanda global. Países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus aliados mantêm uma política de controle da oferta para sustentar os preços", explica.
O mercado de commodities é extremamente reativo a instabilidades geográficas. Segundo a especialista, o cenário atual é moldado por:
- Tensões geopolíticas: Conflitos no Oriente Médio geram receio imediato de interrupção no fornecimento.
- Sanções e disputas: Embargos econômicos interferem diretamente no equilíbrio entre oferta e demanda.
- Controle de oferta: A estratégia da OPEP+ de reduzir a produção limita a disponibilidade do insumo no mercado internacional.
O reflexo no bolso do brasileiro
Para o consumidor no Brasil, a alta do Brent não é apenas um indicador distante. Como a política de preços da Petrobras considera as condições do mercado global, o repasse para as bombas é uma consequência esperada. "Esse movimento pode gerar impactos relevantes na inflação. O aumento dos combustíveis eleva o custo do transporte de mercadorias e serviços, afetando cadeias produtivas inteiras", destaca Marina Prieto. O resultado é uma pressão direta no orçamento das famílias, já que a alta do diesel e da gasolina encarece desde o frete de alimentos até o valor de serviços básicos.
Apesar do avanço das matrizes energéticas renováveis, o petróleo permanece como o principal motor da economia mundial. Para Prieto, a volatilidade da commodity deve continuar ditando o ritmo econômico nos próximos anos, exigindo monitoramento constante de governos e investidores.

