
Gasolina e óleo diesel devem ter reajuste de preço nos próximos dias
Leandro Couri/EM/D.A Press
Resumo
Ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã intensificaram o conflito no Oriente Médio, resultando em alta imediata do preço do petróleo, com o barril Brent atingindo US$ 82,22 e acumulando aumento de 13% desde o início das hostilidades, impulsionado pelo temor de interrupção no fornecimento devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Impacto no mercado brasileiro é sentido com o preço médio da gasolina comum em R$ 6,28 e do diesel S10 em R$ 6,09, enquanto a defasagem entre preços internos e internacionais chega a 17% para gasolina e 25% para diesel, indicando necessidade de reajustes de até R$ 0,83 por litro para alinhar valores às cotações externas.
Tendência de novos aumentos é apontada por especialistas, que alertam para alta contínua dos preços caso o conflito persista, destacando a cautela da Petrobras em adiar repasses oficiais e a pressão adicional do aumento do ICMS estadual, o que pode tornar inevitáveis novos reajustes para garantir o abastecimento nacional.
A escalada do conflito militar no Oriente Médio, marcada por ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã, provocou uma disparada imediata no preço do petróleo no mercado internacional nesta quarta-feira (4). O barril do tipo Brent atingiu a marca de US$ 82,22, acumulando uma alta de 13% desde o início das hostilidades no último final de semana.
O movimento reflete o temor global com a interrupção do fornecimento de óleo bruto, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã. A rota é vital para o comércio mundial, sendo responsável pelo escoamento de cerca de um quinto da demanda global de petróleo.
Impacto nos postos brasileiros
No Brasil, o cenário de instabilidade já reflete no bolso do consumidor. Segundo levantamento da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina comum no país está em R$ 6,28, enquanto o óleo diesel S10 é comercializado, em média, a R$ 6,09.
Apesar dos valores atuais, especialistas alertam para uma forte pressão de alta. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que a defasagem entre o preço praticado internamente e a cotação internacional saltou para 17% na gasolina e 25% no diesel. Na prática, isso representa uma necessidade de reajuste de R$ 0,29 e R$ 0,83 por litro, respectivamente, para alinhar os preços às refinarias.
Tendência de novos aumentos
Para o analista Pedro Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a tendência é que os preços continuem subindo caso o conflito se prolongue. Ele destaca que a Petrobras tem adotado uma política de cautela, aguardando a estabilização da volatilidade antes de anunciar repasses oficiais, mas ressalta que o mercado privado já sente o impacto imediato.
"O cenário atual é de muita incerteza. Se a interrupção no Estreito de Ormuz for duradoura, o barril pode chegar a US$ 108, o que tornaria os reajustes inevitáveis para garantir o abastecimento", avalia Rodrigues. Além da crise externa, os combustíveis no Brasil também sofrem a pressão do aumento do ICMS estadual, que entrou em vigor no início de 2026, adicionando mais custos à cadeia de distribuição.
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