Economia

Enquanto Trump não falar de tarifaço, eu não falarei, diz Lula

Declaração foi feita durante visita à Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro

Da redação
DA REDAÇÃO

17/07/2026 • 15:32 • Atualizado em 17/07/2026 • 15:32

Lula durante visita no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)

Lula durante visita no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)

Roberto Sungi/Ato Press/Estadão Conteúdo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta sexta-feira (17), que não vai se manifestar sobre a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros enquanto o presidente americano, Donald Trump, não se manifestar sobre o tema.

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A declaração foi feita durante visita à Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro.

"Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei", afirmou Lula. "No Brasil, ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira."

No discurso, Lula também disse que não falaria sobre o tarifaço porque "a notícia tem que ser o Sistema Único de Saúde (SUS), as nossas carretas da saúde da mulher, o tratamento das mulheres."

Ao citar possibilidades de tratamento no SUS, Lula afirmou que "não somos os melhores do mundo, mas nós temos que ter orgulho de sermos brasileiros." "Ninguém ouse falar mal do Brasil", frisou.

Tarifaço de 25%

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de um novo "tarifaço" sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo Representante do Comércio norte-americano, Jamieson Gree, impõe uma tarifa adicional de 25%, que se soma à alíquota geral de 10% já aplicada às exportações brasileiras para o mercado americano.

A lista completa de produtos que sofrerão impacto ainda não foi divulgada, mas o governo dos EUA já afirmou que café e carne bovina ficarão de fora da taxação. O etanol, por outro lado, já está confirmado na lista de produtos a sofrerem a nova tarifação.

Antes mesmo do anúncio feito na noite desta quarta-feira, o Palácio do Planalto já considerava a adoção das tarifas como certa e estudava medidas de reciprocidade para responder à ofensiva comercial.

Washington justifica a nova imposição tarifária acusando o Brasil de práticas nocivas às empresas norte-americanas em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

No entanto, o governo brasileiro classifica as tarifas como injustas e rebate os argumentos técnicos utilizados, especialmente as acusações sobre o aumento do desmatamento na Amazônia, cujos números oficiais indicam o contrário.

Durante as rodadas de negociação, que o Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR) deu por encerradas nesta semana, as autoridades brasileiras tentaram propor a redução de tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso ao açúcar no mercado americano, mas a proposta foi descartada pelos EUA.

Uma nova taxação ainda pode ser aplicada aos produtos brasileiros. O governo dos EUA pode aplicar mais 12,5% de taxas, dessa vez por uma acusação de que o Brasil estaria falhando em proibir ou fiscalizar casos de trabalho forçado. A decisão sobre essa nova taxa está prevista para até o dia 24 de julho.

*Com Estadão Conteúdo.