Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta terça-feira (3), após chegar a quase 9% pela manhã, em meio à escalada de tensão no Estreito de Ormuz e à tentativa dos Estados Unidos de tentar conter o avanço dos preços de energia.
Em Nova York, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) para abril fechou em alta de 4,7% (US$ 3,33), A US$ 74,56 o barril. Já o Brent para maio subiu 4,7% (US$ 3,66), a US$ 81,40 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Mais cedo, ambos os contratos renovaram os maiores níveis desde junho de 2025, no caso do WTI, e de julho de 2024, no caso do Brent. No pregão eletrônico, por volta das 16h55 (horário de Brasília), o WTI ainda subia 2,53%, a US$ 73,03, enquanto o Brent ganhava 2,80%, a US$ 79,92, refletindo forte volatilidade ao longo do dia.
Tensão em Ormuz pressiona seguros e frete marítimo
A alta ocorreu em meio à disputa de narrativas sobre o Estreito de Ormuz. O Irã ameaçou atacar navios na região, o que elevou o risco geopolítico e atingiu o setor de seguros marítimos, encarecendo a cobertura para as embarcações que cruzam o corredor responsável por parte relevante do fluxo global de petróleo.
No fim da sessão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana poderá escoltar navios pelo Estreito e que ordenou o fornecimento de seguros a preço que classificou como "razoável". O movimento busca reduzir o custo do transporte e mitigar a alta das cotações.
Economista vê choque "gigantesco" nos mercados globais
Para o economista Robin Brooks, do Brookings Institute, o impacto atual supera outros choques recentes. Ele lembrou que, dois dias após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o Brent subiu cerca de 1%, enquanto dois dias após os EUA lançarem ataques contra o Irã a alta chegou a 15%.
Na avaliação de Brooks, "este é um choque absolutamente gigantesco que está se propagando pelos mercados globais", com condições de desordem se instalando em vários segmentos financeiros e de commodities.
Projeções apontam Brent a até US$ 100 e conflito curto
Em relatório, o Société Générale levantou dúvidas sobre a duração do conflito, quem assumirá a liderança no Irã e por quanto tempo o Estreito de Ormuz permanecerá fechado ou economicamente inacessível por causa dos seguros.
Segundo o banco, o consenso entre investidores é que o conflito deve durar menos de um mês, que o novo líder iraniano será outro linha-dura, que o Brent pode subir para a faixa de US$ 90 a US$ 100 por barril e que o estreito ficará fechado, ou com acesso limitado pelo custo dos seguros, por apenas alguns dias.
Do lado da oferta, a Saudi Aramco avalia enviar mais cargas para Yanbu, porto no Mar Vermelho fora do Golfo Pérsico, enquanto dezenas de navios seguem ancorados na região, à espera da reabertura de Ormuz. A petroleira saudita tradicionalmente exporta quase todo o seu petróleo bruto por terminais no Golfo.
O governo do Iraque, por sua vez, afirmou que os cortes na produção e a suspensão das exportações decorrentes do fechamento do estreito não vão afetar as operações das refinarias do país.
Gás natural e diesel acompanham forte rali
O movimento não se restringiu ao petróleo. Na Europa, o gás natural Dutch TTF voltou a disparar 20,4%, enquanto o diesel Low Sulphur avançava 9,3%, ambos negociados na ICE por volta das 16h40 (de Brasília). Nos Estados Unidos, o gás natural Henry Hub subia 3,2%, e o diesel negociado no porto de Nova York (Harbor) saltava 10,2%, reforçando o quadro de choque energético global.

