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Irã diz que Estreito de Ormuz está fechado e ameaça atacar navios

Local é o corredor marítimo por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo

Da redação, com Jornal da Band
DA REDAÇÃO, COM JORNAL DA BAND

02/03/2026 • 18:25 • Atualizado em 02/03/2026 • 18:25

O Irã afirmou que o Estreito de Ormuz está fechado e que as autoridades locais vão incendiar qualquer navio que tente furar o fechamento. O anúncio feito via mídia estatal iraniana foi anunciado por Ebrahim Jabari, um dos principais assessores da alta cúpula das lideranças da Guarda Revolucionária do país nesta segunda-feira (2).

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"O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios", disse.

O anúncio acontece em meio à escalada das tensões após os ataques de Estados Unidos e israel ao território iraniano que resultaram na morte de várias figura do alto escalão do poder no Irã, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.

Mais cedo já durante esta segunda, a Reuters reportou que um navio-tanque já havia sido interceptado na região. Não havia a confirmação, até o momento, de ataque a esta embarcação.

Ormuz é o corredor marítimo por onde passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, o que o torna um dos pontos mais sensíveis da segurança energética internacional. Esse estreito, entre Irã e Omã, é a via por onde transitam navios vindos do Golfo Pérsico em direção ao Mar Arábico.

Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz

Por que Ormuz é tão estratégico?

O estreito é um dos principais chokepoints do mundo, uma espécie de canal com apenas 33 km de largura no ponto mais estreito, por onde escoa cerca de 20% do petróleo e do comércio de gás natural liquefeito consumidos mundialmente. E o Irã controla a costa norte da região.

Nesta segunda, o barril do Brent — petróleo bruto extraído originalmente do Mar do Norte — chegou a subir 13%, a US$ 82,37, fechando a segunda em US$ 77,74 - alta de 6,7%. Já o petróleo bruto West Texas. dos EUA, fechou a US$ 71,23, alta de US$ 4,21, ou 6,3%.

Grandes volumes de petróleo bruto extraídos por países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, passam pelo estreito antes de chegarem a países consumidores pelo mundo.

Cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis passam pelo trecho diariamente, segundo dados da Vortexa, uma consultoria do mercado de energia e frete. O Catar, um dos maiores produtores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), também depende fortemente do estreito para transportar suas exportações.

O risco geopolítico também pode elevar os custos de frete marítimo e o financiamento de cargas.

Impactos para o Brasil

A escalada do conflito afeta frontalmente o agronegócio no Brasil. De um lado, fechando rotas exportações; de outro, impedindo a importação de fertilizantes

O Irã, por exemplo, é um dos maiores fornecedores de ureia, principal nitrogenado usado no agro brasileiro. Junto com fósforo e potássio, forma a composição fundamental para garantir a produtividade das plantações.

Além disso, o estrangulamento da passagem de produtos por Ormuz afeta a importação do diesel, que pressionaria além da utilização de alguns dos maquinários agrícolas e transporte rodoviário de produtos e, por consequência, o frete e o preço dos alimentos ao consumidor final.

Embora existam alternativas terrestres, como o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, elas não têm capacidade para substituir a maior parte do volume que passa pelo estreito.

O Irã também é o principal destino do milho brasileiro. Em 2025, o país persa importou 9 milhões de toneladas, quase 23% do total produzido.

O Oriente Médio também é o maior comprador de proteína de frango brasiileiro.

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