Economia

Disputa por terras raras estaria por trás do tarifaço dos EUA; entenda

A análise é da economista Zeina Latif, em entrevista concedida à jornalista Juliana Rosa para o programa Economia pra Você

Da redação
DA REDAÇÃO

17/07/2026 • 12:02 • Atualizado em 17/07/2026 • 12:02

Juliana Rosa
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A disputa em torno das ricas e estratégicas reservas brasileiras de terras raras desponta como o verdadeiro pano de fundo para a agressiva onda de sobretaxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, segundo analisou a economista Zeina Latif, em entrevista exclusiva concedida à jornalista Juliana Rosa para o programa "Economia pra Você".

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O governo americano teria inflado, artificialmente, as tarifas de importação para construir uma forte moeda de troca política. Como o Brasil detém a segunda maior reserva do planeta desses minerais cruciais para a indústria de alta tecnologia e transição energética, ficando atrás apenas da China, Washington estaria usando o "tarifaço" como uma estratégia de pressão para forçar o país a negociar concessões e parcerias comerciais de exploração.

A tese ajuda a responder à incômoda indagação que ecoa nos bastidores do mercado diplomático: por que o Brasil se tornou o segundo país mais retaliado comercialmente pelos norte-americanos, superado apenas pela gigante asiática chinesa?

Tarifaço dos EUA: Veja o que muda para as exportações brasileiras

Na análise levada ao ar por Juliana Rosa na Rádio BandNews FM, o movimento tem contornos de uma forte pressão geopolítica encenada em pleno período eleitoral nos EUA. Espera-se que o verdadeiro espaço para uma negociação técnica e pragmática em torno das terras raras e das alíquotas comerciais só se consolide após o término do pleito presidencial americano.

O programa completo com Zeina Latif vai ao ar neste sábado (18), às 12h, na BandNews TV.

“Sangue frio”

Diante do "tarifaço" de 25%, analistas e setores do empresariado brasileiro divergem sobre qual postura o Palácio do Planalto deve adotar. Enquanto algumas lideranças defendem uma retaliação imediata e proporcional aos produtos norte-americanos, a recomendação predominante entre os especialistas é de "sangue frio".

A história recente das disputas comerciais mostra que nações de menor peso geopolítico que tentaram "peitar" diretamente os Estados Unidos saíram prejudicadas; o único ator global com musculatura econômica capaz de travar uma guerra tarifária simétrica contra Washington é a própria China.

Tarifaço dos EUA impactará exportações brasileiras em 7,4 bi de dólares

O impacto real do tarifaço na macroeconomia brasileira é amortecido pelo perfil historicamente fechado do país. O total de exportações do Brasil responde por cerca de 15% a 17% do Produto Interno Bruto (PIB). As vendas para os EUA representam meros 2% do PIB nacional e, quando subtraídos os produtos protegidos pelas listas de exceções, esse índice cai para menos de 1% do PIB brasileiro.

Mais da metade das mercadorias nacionais originalmente ameaçadas acabou incluída na lista de exceções de Washington. No total, as sobretaxas atingiram cerca de 18% da pauta de exportação brasileira rumo ao mercado americano. Essa seletividade evidencia que as indústrias americanas possuem uma dependência severa de insumos do Brasil, especialmente no setor agrícola, preferindo poupá-los para evitar um repique inflacionário que penalizaria o consumidor local.

Suporte industrial e diversificação de mercados

Para mitigar os danos nos segmentos mais severamente afetados pela medida, como as indústrias de máquinas, tecidos e mobiliário, o governo brasileiro já prepara um colchão de suporte financeiro. As medidas englobam a abertura de linhas de crédito com taxas subsidiadas pelo Tesouro, visando dar fôlego operacional às fábricas, preservar os postos de trabalho e permitir o redesenho das cadeias logísticas.

Guerra de culpas pelo tarifaço ignora os R$ 13 bi já perdidos pelo Brasil

Paralelamente, a crise acelera a necessidade histórica de o Brasil diversificar seus parceiros comerciais. Países como o Canadá e o Japão manifestaram interesse imediato em ampliar as fronteiras de negócios com o mercado brasileiro. Especialistas apontam que, embora a conquista de novos mercados não ocorra do dia para a noite, o atual cenário protecionista global oferece uma janela propícia para que a economia brasileira diminua sua dependência estrutural em relação às decisões de Washington, transformando a barreira tarifária em uma oportunidade de expansão global.

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