
Lulismo é maior que a esquerda, mas bolsonarismo não é superior à direita
Reprodução/Band
A dinâmica eleitoral brasileira segue marcada pela polarização, mas os dados indicam que esse cenário não beneficia igualmente todos os campos políticos. A avaliação é do cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, em entrevista ao programa Canal Livre, apresentado por Fernando Mitre, Adriana Araújo, Rodolfo Schneider e Fernando Schüler.
Segundo Nunes, a direita brasileira é numericamente maior do que o bolsonarismo, assim como o lulismo supera o tamanho do PT. Essa assimetria impõe desafios estratégicos tanto para a oposição quanto para o governo, especialmente em disputas de segundo turno. “Quanto mais ‘petista’ for a campanha, pior para o Lula. Assim como, quanto mais ‘bolsonarista’ for a campanha da oposição, pior para a oposição”, afirmou.
Para o CEO da Quaest, a repetição do embate direto entre lulismo e bolsonarismo tende a favorecer o presidente Lula, uma vez que o lulismo extrapola os limites do PT e alcança eleitores que não se identificam com a legenda. Por outro lado, uma campanha ancorada no centro-direita, sem forte identidade bolsonarista, pode ampliar o alcance da oposição e torná-la mais competitiva.
Felipe Nunes destacou que essas conclusões não são opiniões pessoais, mas resultados consistentes observados nas pesquisas eleitorais. “Essas medidas da demanda eleitoral estão documentadas nos números”, ressaltou, ao explicar que o comportamento do eleitor indica maior rejeição a campanhas excessivamente ideologizadas.
Durante o debate, Fernando Mitre reforçou que a capacidade de construir frentes amplas pode ser decisiva no segundo turno. Quanto maior a articulação para além dos núcleos duros de cada campo político, maior a chance de sucesso eleitoral.
Para Nunes, o desafio central está em como os atores políticos irão transformar esses dados em estratégia. A definição de alianças, o tom da campanha e a capacidade de dialogar com eleitores fora das bases tradicionais serão fatores determinantes para o desfecho da próxima disputa presidencial.
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