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Alta rejeição pode atrapalhar Flávio Bolsonaro no 2º turno, diz Quaest

A avaliação é do cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, em entrevista ao programa Canal Livre

Da redação
DA REDAÇÃO

21/12/2025 • 11:03 • Atualizado em 21/12/2025 • 11:03

Felipe Nunes avalia possibilidades de Flávio Bolsonaro no 2º turno

Felipe Nunes avalia possibilidades de Flávio Bolsonaro no 2º turno

Reprodução/Band

A possibilidade de um candidato forte no primeiro turno, mas com dificuldades quase intransponíveis no segundo, é hoje um dos principais dilemas da direita brasileira. A avaliação é do cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, em entrevista ao programa Canal Livre, apresentado por Fernando Mitre, Adriana Araújo, Rodolfo Schneider e Fernando Schüler.

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Segundo Nunes, os dados mais recentes da Quaest indicam que Flávio Bolsonaro reúne um “piso” eleitoral elevado, impulsionado pelo bolsonarismo, mas enfrenta um “teto” baixo devido à rejeição expressiva. De acordo com a pesquisa citada na entrevista, 62% dos eleitores afirmam que não votariam no senador, índice superior ao do presidente Lula, que registra 54% de rejeição.

“O Flávio Bolsonaro tem um piso mais alto do que outros candidatos da direita, mas um teto mais baixo”, explicou Nunes. Para o cientista político, essa combinação torna o desempenho no segundo turno um desafio central. “A vantagem eleitoral do Lula é disputar contra alguém que tenha rejeição maior do que ele”, afirmou, ao lembrar que a eleição de 2022 foi marcada por uma lógica de rejeição, na qual o medo do então presidente Jair Bolsonaro superou o receio em relação a Lula.

Durante o debate, Fernando Schüler destacou o risco de repetir o chamado “trauma do Doria”, referência a candidatos que rompem com o bolsonarismo ou tentam reposicionamento político e acabam sem viabilidade eleitoral. A tentativa recente de Flávio Bolsonaro de adotar um discurso mais moderado, segundo Nunes, é um esforço claro para reduzir a rejeição, embora a literatura política indique que esse é um processo difícil, sobretudo para candidatos de oposição.

O CEO da Quaest ressaltou ainda que a direita não bolsonarista é numericamente maior do que o núcleo fiel ao bolsonarismo, assim como o lulismo supera a esquerda tradicional. Para ele, existe espaço para um enfrentamento interno no campo da direita, mas isso exige coordenação política e disposição para assumir riscos eleitorais.

“Se o Lula disputar contra alguém com rejeição menor do que a dele, o desafio é maior. Contra alguém com rejeição maior, o cenário é mais favorável”, concluiu Nunes, destacando que, mais uma vez, o fator decisivo pode não ser a adesão, mas a rejeição do eleitorado.

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