Canal Livre

"Não vou pagar Bolsa Família para marmanjo", diz Zema

Em entrevista ao Canal Livre, governador de Minas Greais fala em "geração de imprestáveis"

Da redação
DA REDAÇÃO

02/05/2026 • 16:59 • Atualizado em 02/05/2026 • 16:59

Romeu Zema é o entrevistado do Canal Livre

Romeu Zema é o entrevistado do Canal Livre

Reprodução/Band

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, defende mudanças estruturais na gestão das políticas de transferência de renda no Brasil. Em entrevista ao programa Canal Livre, que vai ao ar neste domingo (3), o chefe do executivo mineiro e pré-candidato à Presidência da República propõe a unificação de programas sociais e a implementação de critérios mais rígidos para a manutenção dos benefícios, com foco na obrigatoriedade da aceitação de postos de trabalho formais por parte dos beneficiários.

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Segundo Romeu Zema, embora o Bolsa Família e outros auxílios sejam fundamentais para a população vulnerável, existe a necessidade de combater fraudes e o que ele classifica como a criação de uma "geração de imprestáveis".

“Programas sociais são importantíssimos. Nós vamos manter para quem precisa. Sabemos que tem muita fraude que eu vou combater e também não vou pagar auxílio do governo, Bolsa Família, para os marmanjões, que é o que mais tá crescendo no Brasil. Nós estamos criando no Brasil uma geração de imprestáveis hoje. Eu vou em cidades do interior de Minas, fui recentemente a Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, é no Brasil inteiro a mesma coisa: vagas com carteira assinada e marmanjão em casa, na internet, nas redes sociais, no Netflix, que prefere receber o auxílio governamental”, afirma ele.

O governador relata que observa, em diversas regiões do país, a coexistência de vagas de emprego com carteira assinada e pessoas que preferem manter-se na informalidade ou inativas para não perder o auxílio governamental.

Fiscalização e critérios de exclusão

Para viabilizar o controle sobre quem recebe os recursos, Romeu Zema sugere a utilização do Sistema Nacional de Emprego (SINE) e das secretarias municipais de assistência social.

A proposta prevê que o Estado monitore as ofertas de emprego direcionadas aos cidadãos cadastrados nos programas sociais. Caso um beneficiário recuse uma oportunidade de trabalho estruturado sem justificativa, o auxílio seria cortado imediatamente.

O governador argumenta que o modelo atual incentiva a perpetuação da pobreza e a desqualificação profissional a longo prazo. Na visão de Romeu Zema, a recusa de um emprego formal em favor de "bicos" e do auxílio estatal prejudica o aprendizado e o compromisso do trabalhador com uma carreira estável.

Questionado sobre a liberdade de escolha do trabalhador e a compatibilidade da vaga com os desejos do indivíduo, o governador ressalta que o Estado deve oferecer uma "cesta de empregos" com diversas opções, como postos em indústrias, supermercados ou serviços públicos municipais.

Comparação com modelos internacionais

Durante o debate, que conta com a participação de Fernando Mitre, Adriana Araújo, Rodolfo Schneider e Sheila Magalhães, o governador discute a aplicação de modelos semelhantes aos de países europeus.

Fernando Mitre menciona o sistema da Alemanha, onde o desempregado possui o direito de recusar uma primeira proposta de emprego antes de sofrer sanções no seguro-desemprego.

Romeu Zema sinaliza positivamente à sugestão de adotar uma margem de tolerância, admitindo que o beneficiário possa recusar a primeira oferta de trabalho, mas tornando a aceitação obrigatória a partir da segunda oportunidade apresentada pelo sistema público.

O objetivo central, segundo o governador, é garantir que o recurso público chegue a quem realmente precisa e não sirva como desestímulo ao mercado de trabalho formal.