O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ganhou destaque no cenário político nacional e foi o tema central de discussões entre os pré-candidatos à Presidência Aldo Rebelo e Renan Santos, no programa Canal Livre.
Enquanto o Congresso Nacional começa a movimentar propostas que variam entre as escalas 5x2 e a radical 4x3, os presidenciáveis alertam para os riscos de uma decisão baseada em interesses eleitorais em detrimento da produtividade econômica.
O risco da 'anestesia' econômica
Para o ex-ministro Aldo Rebelo, a discussão atual ignora o debate essencial sobre a produtividade do trabalho. Ele ressalta que o país deveria se espelhar nas legislações das potências que mais crescem no mundo, como China e Estados Unidos, para entender como conciliar direitos e eficiência.
"A China é o país que nos últimos 10 anos mais aumentou salário no mundo. Com que tipo de norma?", questionou Rebelo. Ele avalia que o governo, na falta de uma política de crescimento real, utiliza a redução de jornada como uma "aspiração comum" para atrair o trabalhador.
Contudo, o pré-candidato alerta que setores vitais como a indústria e o comércio dependem de turnos de fim de semana e que qualquer mudança precisa de uma mediação rigorosa do Congresso para não paralisar a retomada econômica.
'Picaretagem' e vício de origem
Renan Santos foi mais enfático nas críticas, classificando a proposta de redução de jornada como "picaretagem". Para o pré-candidato, o projeto utiliza uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de forma desnecessária para criar um "showzinho" político. Ele argumenta que parlamentares de esquerda buscam recuperar a conexão com o trabalhador comum após anos focados em pautas identitárias que não trouxeram utilidade prática.
"Eles pegaram essa dor [do trabalhador no trânsito] e estão tentando voltar a ter um tipo de conexão que perderam. O PT viu em pesquisa que está perdendo esse trabalhador e puxou essa pauta para crescer eleitoralmente", afirmou Renan Santos.
O pré-candidato também criticou a postura da direita bolsonarista, que, segundo ele, capitulou diante do tema na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por medo de gerar rejeição popular, em vez de defender a viabilidade econômica do país.
Flexibilidade contra a informalidade
Um ponto de convergência entre os debatedores é a necessidade de olhar para as cadeias globais de produção. Renan destacou que o Brasil está perdendo espaço para nações como Vietnã e Índia, que possuem legislações trabalhistas mais flexíveis.
Renan Santos defendeu que o regime de trabalho deveria ser menos burocrático, facilitando tanto a contratação quanto a demissão, a exemplo de nações desenvolvidas. Ele avalia que a rigidez atual favorece a informalidade, o que tornaria o trabalhador dependente de auxílios estatais.
"Contratar uma pessoa, demitir uma pessoa não tem que ser esse drama todo. No Brasil é sempre esse drama, e aí aparece um populista tentando tirar voto em cima do sofrimento das pessoas", concluiu, reiterando que sua posição será de oposição pública ao projeto nos moldes em que se encontra.
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