Pré-candidatos à Presidência da República, Aldo Rebelo e Renan Santos são os convidados do Canal Livre neste domingo (26). Ao serem questionados sobre segurança, os dois mostraram ter opiniões bem parecidas e defenderam a união das forças de segurança.
“O crime não respeita fronteiras estaduais. Uma ordem que sai de um presídio em São Paulo resulta em uma chacina no Rio Grande do Norte. Como você quer que o governador do Rio Grande do Norte resolva isso sozinho? É impossível”, diz Rebelo.
Pré-candidato pelo partido Democracia Cristã, ele citou grandes eventos como a Copa de 2014 como exemplo. "O vice-presidente dos Estados Unidos veio, o Putin veio, o Rei da Bélgica veio... Nós então trabalhamos com as Forças Armadas, com as polícias militares e as polícias civis… E foi um sucesso absoluto."
Renan Santos, do partido Missão, mostrou que pensa parecido e citou a cidade de Santa Quitéria, no Ceará, que, segundo ele, está controlada por facções. “Eu vou fazer um Estado de Defesa e vou utilizar as forças policiais e, se necessário, as forças de segurança nacionais, as Forças Armadas."
"Vamos recuperar esses territórios e aí entregar direitos humanos para as pessoas que precisam. Da maneira como está, eu volto a colocar: existem governadores que estão cooperando, direta ou indiretamente, com o avanço do crime, e isso precisa acabar."
Questionado se essa não seria uma medida autoritária, Renan Santos negou. “Não, é o contrário. Eu sou um garantista. Eu quero garantir o direito de ir e vir do cidadão de Santa Quitéria, de Sobral, de Caucaia, de Fortaleza, de Salvador, de Itabuna... de cidades que hoje estão sob o domínio do crime.”
“O que é mais autoritário: o Estado brasileiro usar as ferramentas constitucionais para retomar a soberania sobre o seu território ou deixar que um tribunal do crime decida quem vive e quem morre? O Estado de Defesa é mecanismo previsto na Constituição para situações de instabilidade institucional ou calamidades", afirmou.
Rebelo ressaltou também a necessidade de equipar as forças de segurança. "Precisamos de equipamentos modernos, inteligência... Se você não dispõe disso, vai exigir de um policial militar, com um colete vencido, que não tem um radar, que não tem o equipamento de vigilância... não!".
“As nossas Forças Armadas são muito bem qualificadas, as nossas polícias militares também são preparadas, mas o recurso humano precisa do equipamento. Para fiscalizar o rio da Amazônia, precisa de uma lancha. Agora, você sai com uma canoinha e eles se depara com uma lancha com uma metralhadora .50 na proa descendo o rio", completa Rebelo.
Braço político e econômico
Rebelo e Santos também falaram sobre o crime organizado e como ele vai muito além do “bandido do morro”. Segundo eles, as facções estão estruturadas, com braço político e braço econômico muito forte.
"Eles lavam dinheiro em empresas legítimas, eles influenciam eleições municipais, eles têm advogados de primeira linha", diz Rebelo.
“E esse é o ponto”, continuou Santos. “Quando eu falo em Estado de Defesa, eu falo também em asfixia financeira. Não adianta só mandar o policial subir o morro ou entrar na favela se o dinheiro do tráfico continua fluindo pelo sistema bancário. A gente precisa de uma inteligência que una COAF, Receita Federal e Polícia Federal.”
O programa Canal Livre vai ao ar no domingo (19), às 20h, na BandNews TV e, mais tarde, às 23h, na tela da Band, depois do o ‘Som dos Oceanos’.
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