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'Sou contra discussão com fins eleitorais', diz Alban sobre escala 6x1

Presidente da CNI nega ser contra o debate da jornada, mas quer adiá-lo; entidade projeta impacto de R$ 267 bilhões no custo de produção

Da redação
DA REDAÇÃO

13/07/2026 • 07:00 • Atualizado em 13/07/2026 • 07:00

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou em entrevista ao Canal Livre ser contrário a uma discussão sobre o fim da escala 6x1 movida por interesses eleitorais e defendeu que o tema seja adiado para depois das eleições.

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Para o dirigente, não há oposição entre empregadores e trabalhadores, mas complementaridade. "Empreendedor e trabalhador se completam", disse, rejeitando o que chamou de tentativa de instalar um conceito de "nós e eles".

“Eu nunca ouvi um setor empresarial que disse que é contra a discussão. O que nós somos, peremptoriamente, contra é uma discussão motivada por fins eleitoreiros. Isso não constrói, isso só faz com que cresça mais o nós e eles”

O adiamento defendido por Alban vai ao encontro da posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem sinalizado deixar o assunto para depois do pleito.

No Senado, tramitam dois caminhos: um projeto de livre negociação das horas de trabalho, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), e a proposta vinda da Câmara, que reduz a jornada para 40 horas semanais no modelo 5x2.

Alban criticou o texto da Câmara, afirmando que contém "um monte de equívocos" e até inconstitucionalidades, além de sustentar que a livre negociação já é uma realidade bem-sucedida no País. Segundo ele, a jornada média no Brasil é de 38,4 horas semanais, abaixo das 40 horas previstas na proposta.

"Não tem nenhum país do mundo onde a escala é definida pela Constituição. Isso é engessamento", declarou, defendendo que a relação entre capital e trabalho seja diversificada conforme a característica de cada setor.

Durante a entrevista, foram apresentados dados de projeção da própria CNI sobre o impacto do fim da escala 6x1: aumento de R$ 267 bilhões nos custos de produção, encarecimento de 7% na folha de pagamento e alta de pelo menos 6,2% no custo dos produtos ao consumidor final.

Ele acrescentou que as projeções da CNI convivem com estimativas divergentes de institutos como Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) – discrepância que, para ele, reforça a necessidade de discutir o tema com mais calma.

Questionado sobre um eventual modelo de transição, Alban defendeu que qualquer mudança seja gradual e escalonada, com apoio de tecnologia e inteligência artificial para amenizar impactos, mas ponderou que não se pode "achar que a IA vai resolver tudo" da noite para o dia.

Alban afirmou que uma eventual redução da jornada precisa ser "uma conquista para toda a sociedade", sem repasse aos preços, e associou o debate à necessidade de enfrentar o chamado custo Brasil, a baixa produtividade e a qualificação da mão de obra.

Ele defendeu "rampas de saída" dos programas sociais para suprir a dificuldade de contratação enfrentada por empresas, mesmo em cenário de pleno emprego, e citou o custo do crédito como entrave à competitividade.