
Marcos Troyjo
Canal Livre
Apesar de o Brasil ter apresentado bons resultados no controle da inflação, com índices dentro da meta estipulada, o ex-presidente do Brics, Marcos Troyjo, avaliou que esse fator isolado não será suficiente para impulsionar a queda da taxa básica de juros (Selic). Segundo ele, a política fiscal do governo federal e a proximidade do ano eleitoral pesam mais na decisão do Banco Central (BC).
O questionamento foi levantado pelo apresentador Rodolfo Schneider, que notou que a inflação – principal motivadora da alta dos juros – havia retornado a patamares controlados, perto dos 4,5%.
Os fatores que preocupam o BC
Em sua análise, Troyjo concordou que o controle da inflação é um avanço, mas argumentou que outros elementos têm um impacto mais duradouro e preocupante para a política monetária.
“A inflação... veja, vamos supor, o componente dólar sobre o patamar de juros é um dos elementos dentre vários”, disse Troyjo, complementando que as preocupações fiscais e de intervenção do Estado são mais significativas.
Segundo o economista, esses outros fatores que ele mencionou "estão muito mais fortes" para a manutenção de uma política mais austera por parte do Banco Central.
Ele explicou que as questões fiscais e de intervenção do governo possuem um “horizonte um pouco mais largo” e apontam para uma “tendência ruim” na gestão econômica do país.
Risco do ano eleitoral
Marcos Troyjo enfatizou que a proximidade de um novo ciclo eleitoral presidencial eleva os riscos, o que reforça a necessidade de prudência por parte da autoridade monetária.
“Nós estamos nos aproximando de um ano eleitoral em que o governo tenderá a ser mais gastador”, previu o economista, que vê essa tendência como um fator de desequilíbrio potencial.
Ele ressaltou a importância de o BC agir de forma preventiva: “É preciso muito cuidado para que as coisas não saiam de controle.”
Por essa razão, Troyjo concluiu que o Banco Central deve manter a mão firme na política monetária. “Mais uma vez entendo que o Banco Central vai manter uma mão de austeridade na política monetária”, finalizou.
A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços sobem, a taxa é elevada para desaquecer a economia e controlar a demanda. A manutenção da Selic no patamar atual, apesar da inflação controlada, indica que o BC está priorizando o combate aos riscos fiscais de médio e longo prazo.
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