Canal Livre

Troyjo alerta que inflação controlada não basta para queda de juros

Em participação no Canal Livre, ex-presidente do Brics Marcos Troyjo afirma que política fiscal do governo e ano eleitoral exigem cautela do Banco Central, apesar dos bons resultados recentes no controle de preços.

Da redação
DA REDAÇÃO

13/12/2025 • 15:08 • Atualizado em 13/12/2025 • 15:08

Marcos Troyjo

Marcos Troyjo

Canal Livre

Apesar de o Brasil ter apresentado bons resultados no controle da inflação, com índices dentro da meta estipulada, o ex-presidente do Brics, Marcos Troyjo, avaliou que esse fator isolado não será suficiente para impulsionar a queda da taxa básica de juros (Selic). Segundo ele, a política fiscal do governo federal e a proximidade do ano eleitoral pesam mais na decisão do Banco Central (BC).

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O questionamento foi levantado pelo apresentador Rodolfo Schneider, que notou que a inflação – principal motivadora da alta dos juros – havia retornado a patamares controlados, perto dos 4,5%.

Os fatores que preocupam o BC

Em sua análise, Troyjo concordou que o controle da inflação é um avanço, mas argumentou que outros elementos têm um impacto mais duradouro e preocupante para a política monetária.

“A inflação... veja, vamos supor, o componente dólar sobre o patamar de juros é um dos elementos dentre vários”, disse Troyjo, complementando que as preocupações fiscais e de intervenção do Estado são mais significativas.

Segundo o economista, esses outros fatores que ele mencionou "estão muito mais fortes" para a manutenção de uma política mais austera por parte do Banco Central.

Ele explicou que as questões fiscais e de intervenção do governo possuem um “horizonte um pouco mais largo” e apontam para uma “tendência ruim” na gestão econômica do país.

Risco do ano eleitoral

Marcos Troyjo enfatizou que a proximidade de um novo ciclo eleitoral presidencial eleva os riscos, o que reforça a necessidade de prudência por parte da autoridade monetária.

“Nós estamos nos aproximando de um ano eleitoral em que o governo tenderá a ser mais gastador”, previu o economista, que vê essa tendência como um fator de desequilíbrio potencial.

Ele ressaltou a importância de o BC agir de forma preventiva: “É preciso muito cuidado para que as coisas não saiam de controle.”

Por essa razão, Troyjo concluiu que o Banco Central deve manter a mão firme na política monetária. “Mais uma vez entendo que o Banco Central vai manter uma mão de austeridade na política monetária”, finalizou.

A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços sobem, a taxa é elevada para desaquecer a economia e controlar a demanda. A manutenção da Selic no patamar atual, apesar da inflação controlada, indica que o BC está priorizando o combate aos riscos fiscais de médio e longo prazo.