
Saiba o papel do "Careca do INSS" no esquema que desviou bilhões de aposentados e pensionistas
Reprodução/Band
O esquema criminoso que resultou em descontos ilegais na folha de pagamento de aposentados e pensionistas, na casa dos R$ 6,3 bilhões, segue sob holofotes, impulsionado pela comissão parlamentar que investiga o roubo dos benefícios, a chamada CPMI do INSS, e prisão do suspeito de ser o elo entre servidores e entidades envolvidos nas fraudes. Segundo as investigações da Polícia Federal (PF), por trás da estrutura, há um apelido-chave de alguém que, inclusive, visitava políticos no Congresso Nacional: “Careca do INSS”.
Mas quem é Antônio Carlos Camilo Antunes, alcunhado de “Careca do INSS”, e qual a importância dele no esquema fraudulento envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)? A “Operação Sem Desconto”, deflagrada pela PF e Controladoria-Geral da União (CGU), destaca que o suspeito teria movimentado R$ 50,3 milhões, entre 2023 e 2024, como intermediador entre associações e servidores do INSS.
Do total de R$ 50,3 milhões movimentado por Antunes, dinheiro recebido de entidades de classe, como associações e sindicatos suspeitos de fazerem os descontos indevidos, R$ 9 milhões foram transferidos como propina para pessoas ligadas ao INSS.
Como ocorriam os descontos ilegais
Ao menos 11 entidades foram alvo de medidas judiciais em decorrência dos desvios irregulares. Por firmarem acordos de cooperação técnica (ACT) com o INSS, conseguiam realizar os descontos de mensalidades associativas, diretamente, na folha de pagamento dos beneficiários, sem autorização dos aposentados e pensionistas, o que é ilegal.
Na prática, segundo as investigações, dados dos beneficiários eram repassados pelo INSS para as entidades. A partir daí, os chamados descontos associativos eram aplicados, de forma fraudulenta, como se o aposentado e pensionista tivesse autorizado a contratação de um serviço que ele desconhecia. Em alguns casos, os criminosos criavam associações de fachada e falsificavam assinaturas para terem acesso aos valores subtraídos.
Ligação com políticos
O “Careca do INSS” é apontado pelas investigações como figura central do esquema, além de ser um lobista com contato direto com políticos. Na esteira dessa influência no Congresso Nacional, o Senado chegou a determinar o sigilo sobre informações relativas às visitas do Careca à Casa, com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Apesar do sigilo no Senado, a CPMI do INSS quer rastrear as visitas de Antunes a políticos e mira imagens de câmeras de segurança para descobrirem quais parlamentares receberam o lobista.
Prisão decretada
Na última sexta-feira (12), o “Careca do INSS” teve a prisão preventiva decretada, sob a justificativa de obstrução de investigação e ocultação de patrimônio. Em resposta à detenção, a defesa negou qualquer ligação do cliente com o esquema criminoso e considerou a prisão preventiva um erro, ao alegar “equívoco nas premissas fáticas”.
Ele nunca foi responsável pela obtenção de dados de aposentados, pelo recrutamento dessas pessoas (defesa do Careca do INSS)
Desistiu de ir à CPMI
Nesta segunda-feira (15), o “Careca do INSS” seria ouvido na CPMI que investiga as fraudes previdenciárias, mas desistiu de ir à comissão, beneficiado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o desobrigou de comparecer. A informação foi confirmada, nesta manhã, pela presidência da comissão.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

