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Condenações e prisão após fuga à Itália: os momentos mais buscados sobre Carla Zambelli

Deputada federal licenciada vive pico de interesse no Google entre os brasileiros desde o início da carreira política

Luccas Balacci
LUCCAS BALACCI

23/08/2025 • 16:15 • Atualizado em 23/08/2025 • 16:15

Deputada federal está licenciada do cargo até outubro

Deputada federal está licenciada do cargo até outubro

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) registra, em 2025, o ano com maior interesse de buscas no Google desde que iniciou sua trajetória política, como ativista e fundadora do movimento Nas Ruas, em 2011. O recorde é motivado por uma sequência de condenações na Justiça e a prisão cautelar na Itália após fugir do Brasil para evitar a aplicação de penas.

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De acordo com a Sala Digital, parceria entre a Band e o Google, os principais picos mensais de interesse de buscas por Zambelli estão ligados aos dois processos. Em agosto de 2023, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou uma busca e apreensão em endereços da deputada, além da quebra de seu sigilo bancário.

A investigação era sobre a orquestração para invadir sistemas eletrônicos do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para, segundo a Polícia Federal, “expandir narrativa fraudulenta contra o processo eleitoral brasileiro, com o objetivo de tumultuá-lo”. Outro alvo era o hacker Walter Delgatti Neto, notório pelo vazamento de mensagens que descredibilizaram a operação Lava Jato e que foi contratado por Zambelli para inserir um falso mandado de prisão contra Moraes.

Em maio deste ano, a dupla foi condenada por unanimidade pela 1ª Turma do STF. A pena para Zambelli foi de 10 anos de prisão em regime fechado e multa no valor de dois mil salários mínimos, além de indenização de R$ 2 milhões. Vinte dias depois, ela revelou que havia deixado o país e teve o nome incluído na lista da Interpol.

Quase dois meses depois, a deputada federal licenciada foi detida em Roma, na Itália, durante uma operação policial no apartamento em que estava morando. Ela chegou a dizer que se entregou voluntariamente, o que foi desmentido pela Polícia Federal e o Ministério da Justiça. Zambelli aguarda em prisão cautelar o andamento do processo de extradição para o Brasil.

Perseguição com arma de fogo

O acontecimento que levou ao maior interesse de buscas histórico no Google sobre Carla Zambelli ocorreu em outubro de 2022. Na véspera do segundo turno das Eleições, a política apontou uma arma de fogo e perseguiu um jornalista em uma rua de São Paulo. O vídeo viralizou e, em agosto de 2023, ela se tornou ré no Supremo Tribunal Federal.

O julgamento foi finalizado na sexta-feira (22). Zambelli foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão, com placar de 9 votos a 2. A decisão cabe recurso. Sua defesa afirma que Zambelli é inocente e vítima de perseguição política.

Caso ocorreu após deputada ser reeleita em 2022 | Reprodução

Caso ocorreu após deputada ser reeleita em 2022 | Reprodução

O início na política

Em 2018, quando foi eleita para o primeiro mandato na Câmara dos Deputados pelo PSL, com 76,3 mil votos, Zambelli aparecia como uma nova figura da direita, na toada da onda bolsonarista que levou à vitória de Jair Bolsonaro no segundo turno em outubro. Os principais termos relacionados à então candidata eram sobre sua biografia, seu partido e suas redes sociais.

Chamava a atenção uma possível relação com o grupo feminista Femen, que protestava contra o turismo sexual, sexismo, homofobia e racismo. Zambelli participou de protestos em 2012, mas logo se afastou do coletivo e de suas pautas. Em 2015, a então militante do Nas Ruas acorrentou-se com outras sete pessoas em uma pilastra na Câmara dos Deputados. O objetivo era pressionar o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a abrir o processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

Zambelli em protesto do grupo Femen, em 2012 | Reprodução

Zambelli em protesto do grupo Femen, em 2012 | Reprodução

Em seu primeiro mandato como deputada federal, destacam-se como pesquisas relacionadas o nome de Joice Hasselmann, aliada bolsonarista com quem rachou ainda no primeiro ano de legislatura. Outro nome que se destaca é o de Sergio Moro, antes juiz federal ligado aos julgamentos em primeira instância da Operação Lava Jato, depois Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

Em abril de 2020, Carla Zambelli teve um primeiro pico expressivo de buscas. Em meio à crise que levou à saída de Moro da pasta, foram reveladas mensagens entre Zambelli e o então ministro. Ela teria oferecido uma vaga no STF para Moro em troca da nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal.

No fim, Moro deixou o governo e Ramagem foi diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Ele é um dos réus na ação penal sobre a tentativa de golpe contra o resultado da eleição presidencial de 2022, cujo julgamento terá início no mês que vem.