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Foragida há um mês, Carla Zambelli é presa pela polícia na Itália

Deputada deixou o Brasil depois de ser condenada a dez anos de prisão pelo STF por ter coordenado a invasão ao sistema do CNJ

Da redação
DA REDAÇÃO

29/07/2025 • 17:08 • Atualizado em 29/07/2025 • 17:08

Resumo

A deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) em Roma, na Itália. O deputado italiano Angelo Bonelli, um dos maiores defensores da extradição da parlamentar brasileira, disse em seu perfil no X (antigo Twitter) que encontrou o local onde a deputada está e passou a localização para a polícia local.

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“Carla Zambelli está em um apartamento, em Roma. Forneci o endereço à Polícia. Neste momento a Polícia está identificando Zambelli”, escreveu Bonelli.

Ao ser detida, a deputada apresentou pedidos de asilo político e de não-extradição.

Deputada deixou Brasil em junho e estava foragida

Zambelli anunciou em 3 de junho que havia deixado o País para realizar um tratamento médico e que pediria licença do mandato – o que ainda não aconteceu. Em maio, ela foi condenada por dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter orquestrado a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. Dois dias depois da fuga, seu nome foi incluído na lista vermelha da Interpol.

De acordo com as investigações, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu, sob suas ordens, um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. "Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L", dizia o documento falso. A deputada também responde a outra investigação no Supremo por ter perseguido um homem munida de um revólver antes das eleições de 2022.

Zambelli que se apresentou às autoridades e fala em ser julgada na Itália

Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o advogado Fábio Pagnozzi, que representa Carla Zambelli, disse que a deputada decidiu se apresentar às autoridades para se defender, que nunca foi foragida na Itália e que buscará pela não-extradição. A deputada também se defendeu em gravação na postagem.

“Vou me apresentar às autoridades italianas e estou muito segura de fazê-lo, porque aqui nós ainda temos justiça e democracia, não temos um ditador no poder, não temos a autoridade ditatorial de um Alexandre de Moraes e seus comparsas da Suprema Corte. Estou calma, tranquila, o coração sereno de que, aqui, buscarei justiça para o meu caso. Quando disse que era intocável, é porque disse que só Deus poderia me tocar. Eu não vou voltar para o Brasil para cumprir pena. Se tiver que cumprir qualquer pena, vai ser aqui na Itália”, defendeu-se a deputada.

As redes sociais da deputada e de seus familiares foram retiradas do ar por determinação do STF. Na filmagem, ela nega ter ordenado o ataque ao sistema do CNJ e alega que o hacker Delgatti mudou várias vezes seu depoimento. Veja o vídeo completo abaixo:

PF diz que deputada será submetida ao processo de extradição

A Polícia Federal (PF) afirmou nesta terça-feira (29) que a prisão da deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi realizado com auxílio das autoridades italianas. Ainda segundo a corporação, a parlamentar será submetida ao processo de extradição.

"Autoridades italianas prenderam na tarde desta terça-feira (29/7), em Roma, uma brasileira que se encontrava foragida no país. A medida é resultado de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal, a Interpol e agências da Itália", diz a nota.

Hugo Motta diz que à Câmara só cabe deliberar sobre perda de mandato

Após a detenção de Carla Zambelli, o presidente da Câmara Hugo Motta diz aguardar manifestações do Ministério da Justiça e das autoridades da Itália sobre o caso.

"Importante lembrar que as providências que cabem à Câmara já estão sendo adotadas, por meio da Representação que tramita na CCJC, em obediência ao Regimento e à Constituição. Não cabe à Casa deliberar sobre a prisão - apenas sobre a perda de mandato", escreveu

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados instaurou um prazo de cinco sessões a partir de 24 de junho para que a deputada se defenda no processo de cassação do seu mandato.

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