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Caso Leandro Lo: expectativa cresce para o julgamento decisivo marcado para 12 de novembro

Três anos após o crime que chocou o país, o caso chega ao Tribunal do Júri sob forte atenção pública e com um clima de tensão crescente

LEANDRO SANT'ANA

04/11/2025 • 14:25 • Atualizado em 04/11/2025 • 14:25

Leandro Lo foi campeão mundial de jiu-jitsu

Leandro Lo foi campeão mundial de jiu-jitsu

Reprodução/Instagram/@leandrolojj

Após uma série de adiamentos, decisões judiciais controversas e reviravoltas inesperadas, o julgamento do tenente da Polícia Militar Henrique Otavio Oliveira Velozo, acusado de matar o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, está finalmente marcado para a próxima quarta-feira, 12 de novembro de 2025, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

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Três anos após o crime que chocou o país, o caso chega ao Tribunal do Júri sob forte atenção pública e com um clima de tensão crescente. Familiares do atleta, advogados, promotores e observadores da Justiça aguardam o momento em que os jurados poderão, enfim, definir a responsabilidade criminal do policial.

Justiça revoga transferência e anula demissão de policial acusado da morte de Leandro Lo

A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo designou três promotores de Justiça para atuarem conjuntamente na sessão plenária. O ofício, assinado pelo Promotor de Justiça João Carlos Calsavara, em 16 de outubro de 2025, confirma que a estrutura do Ministério Público foi reforçada para o julgamento, que também contará com seis advogados da assistência de acusação, totalizando nove representantes da acusação em plenário.

O júri também terá uma novidade relevante: um novo juiz presidente assumirá a condução dos trabalhos, após alterações internas no Judiciário paulista. A troca ocorre em meio a um processo que já passou por duas dissoluções anteriores do conselho de sentença — uma em maio e outra em agosto — ambas marcadas por intensas disputas entre a acusação e a defesa.

Reviravolta judicial: Velozo é reintegrado à PM e volta a receber salário

A poucos dias do julgamento, o processo ganhou um novo e polêmico capítulo. Em 15 de outubro de 2025, o desembargador Ricardo Dip, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou que Henrique Velozo fosse reincorporado à Polícia Militar e voltasse a receber o salário de R$ 14,6 mil até o fim do julgamento.

A decisão suspendeu o decreto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que havia demitido o tenente da corporação em 22 de setembro, após parecer do Tribunal de Justiça Militar pela perda do posto e da patente.

Na liminar, Ricardo Dip afirmou que a punição antecipada feria o princípio da presunção de inocência e a irredutibilidade de vencimentos, registrando que “a supressão dos vencimentos durante o período em que o acusado permanece recolhido no presídio, aguardando decisão definitiva, parece vulnerar os princípios constitucionais da não culpabilidade”.

Com isso, Velozo, que continua preso no Presídio Militar Romão Gomes, voltou oficialmente à condição de policial militar ativo, ainda que sob custódia.

O crime que chocou o esporte brasileiro

O crime aconteceu dia 7 de agosto de 2022, quando Leandro Lo, de 33 anos, foi baleado na cabeça por Henrique Velozo após uma briga durante um show de pagode no Clube Sírio, na zona sul de São Paulo.

Segundo testemunhas, o lutador havia imobilizado o policial durante uma discussão, mas o agressor se levantou, sacou a arma e atirou. Lo foi levado ao hospital, mas não resistiu. As câmeras de segurança não registraram o momento do disparo, mas o relato de testemunhas foi decisivo para o indiciamento do tenente.

Henrique responde por homicídio doloso triplamente qualificado — por motivo torpe, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. A Promotoria pede uma pena mínima de 20 anos de prisão, enquanto a defesa sustenta que o réu agiu em legítima defesa.

Símbolo de um julgamento emblemático

Leandro Lo foi oito vezes campeão mundial de jiu-jítsu, reconhecido como um dos maiores lutadores da história da modalidade. Seu assassinato causou enorme comoção no Brasil e no exterior, mobilizando atletas, federações e fãs das artes marciais.

Com o início do júri se aproximando, a expectativa é de um julgamento longo, tenso e decisivo, que pode se estender por vários dias, dado o número de testemunhas e o volume de provas a serem analisadas.

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