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Caso Master: Vorcaro pode fazer delação premiada

Por Redação
REDAÇÃO

12/03/2026 • 23:01 • Atualizado em 12/03/2026 • 23:01

Eduardo Oinegue

Notícia bomba no caso Master. Daniel Vorcaro discute fazer colaboração premiada, a famosa delação. Você sabe que esse tipo de notícia é delicada, porque o preso, no caso de Vorcaro, ele tá preso, pode querer falar quando a investigação ainda não quer ouvir. Podem querer conversar, mas discordam dos itens da delação. Podem concordar com a lista, mas brigam por causa da multa, porque sempre tem uma multa.

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Nós estamos falando de uma história de sete anos. Passaram-se sete anos do momento em que Vorcaro virou banqueiro até o Banco Central liquidar o Master. Naquela que pode ser a maior fraude bancária da história do Brasil. Só de Fundo Garantidor de Crédito, mais de cinquenta bilhões de reais. Tudo isso em sete anos.

Sete anos de muita festa em mansão, muita garota de programa, viagem de jato, passeio de iate, jantar caríssimo e, segundo a Polícia Federal, casos de corrupção para todos os gostos. Sete anos de convivência com órgãos reguladores, parlamentares, governantes, integrantes do Poder Judiciário.

Se a delação sair, a gente vai poder entender que tipo de relação Vorcaro manteve com certas autoridades. Relações republicanas, outras indizíveis. Se ele falar, será que o sócio dele, Augusto Lima, e o cunhado dele, Fabiano Zettel, vão ficar calados? Podem surgir outras delações.

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A gente tem o direito de entender como era o contato de Vorcaro com eles. Porque hoje tá chato demais para os dois e para o Supremo Tribunal Federal. Vorcaro pode ajudar a esclarecer.

O mesmo sobre o senador Ciro Nogueira, que propôs aumentar o limite do FGC de duzentos e cinquenta mil reais para um milhão. Eram amigos? Tinham alguma coisa a mais? Reforçando que, no caso de Moraes, de Toffoli e do senador Ciro Nogueira, até agora, não apareceu um único sinal de crime. Crime tipificado no Código Penal. Não tem, até agora, nada.

Diferente com dois servidores do Banco Central. O ex-diretor de fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do departamento de fiscalização bancária, Belline Santana. Nesse caso, tá mais ou menos claro que eles trabalhavam como informantes de Vorcaro. A gente não sabe como funcionava, mas a polícia já achou, inclusive, um pagamento de um milhão e meio de reais para um irmão do ex-diretor de fiscalização.

O Brasil acompanhou por alguns anos a onda de delações da Lava Jato. Era uma atrás da outra, impressionava. Só que naquele escândalo as delações começaram de baixo para cima. Primeiro falaram um diretor da Petrobras e um doleiro. Até que Marcelo Odebrecht resolveu delatar. Aqui é como se começasse por Marcelo Odebrecht.

O estrago dessa delação, se acontecer, a gente só vai conhecer com o tempo. Numa primeira fase, o delator pode empilhar nomes, mas nada vale se não apresentar provas. Delação é instrumento de investigação. Sem provas, esquece. Sem provas, é mais um escândalo. E a sociedade não quer mais histórias de corrupção, quer os corruptos na cadeia.

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