
Reprodução/Jornal da Band
O cenário de roubos e furtos de celulares é alarmante e impulsiona um mercado ilegal de grande escala. Segundo dados do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou impressionantes 937.294 ocorrências de roubo e furto de celular em 2023. Pela primeira vez naquele ano, o número de furtos (494.295) superou o de roubos (442.999). Embora o volume total de ocorrências tenha apresentado uma redução de 4,7% em 2023 na comparação com 2022, a magnitude do problema segue elevadíssima e impacta milhões de brasileiros.
A dimensão do problema é ainda mais clara na percepção da própria população. Uma pesquisa Datafolha, realizada entre julho de 2023 e junho de 2024, estimou que cerca de 1 em cada 10 brasileiros adultos foi vítima de roubo ou furto de celular nesse período. Isso representa aproximadamente 14,7 milhões de pessoas afetadas, com uma média assustadora de 1.680 casos por hora, ou 28 roubos ou furtos por minuto em todo o país. O prejuízo financeiro estimado para as vítimas desses crimes nesse período foi de R$ 22,7 bilhões.
Além da perda material e do trauma da violência, o celular roubado ou furtado se tornou a porta de entrada para uma série de outros crimes digitais, como estelionatos e golpes virtuais, transformando o aparelho em uma pequena agência bancária nas mãos erradas.
A ferramenta de buscas do Google mostra um sinal claro: os brasileiros querem saber como se proteger de roubos e furtos de celular. Desde o lançamento do programa Celular Seguro, em dezembro de 2023, o interesse por informações sobre o tema disparou.
Um levantamento da Sala Digital, parceria da Band com o Google, identificou picos de busca pelo termo “App Celular Seguro” tanto no fim do ano passado quanto ao longo de 2025 — especialmente em abril, quando o aplicativo passou por atualizações relevantes.
Além disso, as perguntas mais feitas no Google revelam o que a população realmente quer saber: “Celular Seguro, como funciona?”, “Como cadastrar?”, “Como tirar a restrição?”, “App Celular Seguro é confiável?”, “Como bloquear? Como desbloquear?”. A Sala Digital responde:
Celular Seguro, como funciona? Como cadastrar?
O Celular Seguro é uma plataforma gratuita criada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em parceria com a Anatel, Febraban, operadoras de telefonia e bancos. Por meio do aplicativo ou site, o cidadão pode registrar um alerta de roubo, furto ou perda do celular — e acionar o bloqueio do chip, do aparelho (quando possível) e de aplicativos bancários.
O cadastro é feito com a conta gov.br. O sistema permite também incluir uma pessoa de confiança, que poderá registrar o alerta caso o titular não tenha acesso imediato à internet.
É importante destacar que o uso da plataforma não substitui o Boletim de Ocorrência, que continua sendo necessário e deve ser feito junto à Polícia Civil do estado.
Como tirar a restrição do Celular Seguro?
Se o celular for recuperado, o próprio usuário pode remover a restrição acessando novamente o site ou app Celular Seguro com sua conta gov.br e cancelando o alerta.
Desde 2024, existe ainda o chamado Modo Recuperação, que desativa o chip e os aplicativos bancários sem bloquear fisicamente o aparelho. Isso permite que as polícias estaduais atuem de forma mais eficiente em ações de recuperação. A partir de abril de 2025, a consulta pública do IMEI passou a informar se o celular está nesse modo, tanto no site da Anatel quanto no app.
App Celular Seguro é confiável?
Sim. O sistema foi desenvolvido por órgãos oficiais e por instituições financeiras, com protocolos de segurança robustos. Em abril de 2025, uma nova funcionalidade passou a enviar mensagens automáticas via WhatsApp para quem inserir um novo chip em um celular registrado como roubado ou perdido. O objetivo é orientar a devolução e desencorajar o uso do aparelho.
Outra iniciativa prevista para julho de 2025 é um programa piloto com o Google, que vai usar inteligência artificial para identificar sinais de roubo e bloquear automaticamente a tela do aparelho, reforçando a segurança.
Celular Seguro, como bloquear? Como desbloquear?
O bloqueio pode ser feito rapidamente pelo app ou site, após login com a conta gov.br. Basta selecionar o número e acionar o alerta. O sistema automaticamente envia os dados às operadoras e bancos parceiros para bloquear o chip e os apps. Se o aparelho for compatível, também pode haver bloqueio por IMEI.
O desbloqueio pode ser feito da mesma forma: o usuário acessa o sistema, identifica o celular e reverte a restrição.
Números mostram adesão ao programa
Até dezembro de 2024, o app Celular Seguro já somava mais de 2,3 milhões de usuários e cerca de 1,9 milhão de celulares cadastrados. Segundo o MJSP, até fevereiro de 2025 foram mais de 109 mil pedidos de bloqueio — sendo que Samsung, Apple e Motorola concentraram 80% dos alertas. O estado de São Paulo lidera em número de registros.
Outros estados também criaram programas
Além do Celular Seguro nacional, há iniciativas locais que seguem a mesma lógica. O Ceará lançou o “Meu Celular”, que já recuperou mais de 6 mil aparelhos. No Piauí, o “Cellguard” é apontado como projeto pioneiro no Brasil nesse modelo de resposta contra roubos e furtos de celulares.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

