
Bombeiros trabalham próximo a carros destruídos por ataques russos em Kiev, em 16 de abril
REUTERS/Valentyn Ogirenko
O cessar-fogo de três dias negociado pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia chega ao fim nesta segunda-feira (11) sem que tenha havido silêncio real nas linhas de frente.
A trégua, anunciada na sexta-feira pelo presidente americano Donald Trump como um possível "começo do fim" da guerra, foi marcada por acusações mútuas de descumprimento ao longo de todo o fim de semana, e o futuro das negociações de paz segue em aberto.
No anúncio da pausa nos ataques feito, Trump afirmou que ela duraria de 9 a 11 de maio e incluiria a suspensão de toda atividade militar e uma troca de mil prisioneiros por cada lado. "Esta solicitação foi feita diretamente por mim", disse o presidente americano. "Esperançosamente, é o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil."
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky confirmou o acordo e agradeceu à equipe americana pelo envolvimento diplomático, mas deixou claro que Kiev esperava que Washington garantisse o cumprimento dos compromissos por parte da Rússia. "Estamos contando com os Estados Unidos para assegurar que a Rússia cumpra estes acordos", disse o presidente ucraniano.
O contexto do cessar-fogo era o Dia da Vitória russo, celebrado em 9 de maio com o tradicional desfile militar na Praça Vermelha em comemoração ao 81º aniversário da derrota nazista na Segunda Guerra Mundial.
Zelensky disse que a Ucrânia aceitou a trégua principalmente por causa da troca de prisioneiros. "A Praça Vermelha é menos importante para nós do que as vidas dos prisioneiros ucranianos que podem ser trazidos para casa", escreveu o presidente ucraniano.
Acusações de lado a lado
A trégua, no entanto, não resistiu ao fim de semana inteiro sem turbulências. A agência Reuters relatou neste domingo (10) que três pessoas foram mortas em ataques de drones russos perto da linha de frente, e mais de 200 confrontos no campo de batalha foram registrados desde o início do sábado, segundo autoridades ucranianas.
A Ucrânia não acusou explicitamente a Rússia de violar o cessar-fogo, mas Moscou afirmou que Kiev disparou dezenas de drones ao longo do dia, e que as forças russas "responderam na mesma medida".
Antes do cessar-fogo mediado por Trump, Zelensky já havia criticado a postura russa, afirmando que Moscou buscava uma pausa "para realizar seu desfile, para sair à praça em segurança por uma hora uma vez por ano, e então continuar matando nosso povo e travando a guerra".
O que vem a seguir
O assessor presidencial russo Yuri Ushakov deixou claro que a trégua era por três dias e não mais. "As negociações provavelmente serão retomadas, mas ainda não está claro quando", disse. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentou que "a questão de um acordo ucraniano é muito complexa, e chegar a um acordo de paz é um caminho muito longo com detalhes complexos".
O impasse reflete as dificuldades acumuladas ao longo de meses de mediação americana. Horas antes de anunciar o cessar-fogo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia adotado um tom sombrio sobre as negociações, dizendo que os esforços de mediação dos EUA não haviam levado a "um resultado frutífero" até o momento.
Em março, a Ucrânia havia aceitado um plano americano de cessar-fogo por 30 dias, proposto após uma reunião em Jedá, na Arábia Saudita. Na ocasião, Rubio afirmou que "a bola agora está no lado deles", em referência à Rússia, que recusou a proposta. Desde então, a guerra segue sem acordo à vista, com Trump admitindo que encerrar o conflito se mostrou mais difícil do que havia prometido em campanha.
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