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Cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia acaba sem previsão para acordo de paz

Trégua de três dias anunciada por Trump no Dia da Vitória da Rússia foi marcada por acusações mútuas de violações

Da redação
DA REDAÇÃO

11/05/2026 • 08:00 • Atualizado em 11/05/2026 • 08:00

Bombeiros trabalham próximo a carros destruídos por ataques russos em Kiev, em 16 de abril

Bombeiros trabalham próximo a carros destruídos por ataques russos em Kiev, em 16 de abril

REUTERS/Valentyn Ogirenko

O cessar-fogo de três dias negociado pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia chega ao fim nesta segunda-feira (11) sem que tenha havido silêncio real nas linhas de frente.

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A trégua, anunciada na sexta-feira pelo presidente americano Donald Trump como um possível "começo do fim" da guerra, foi marcada por acusações mútuas de descumprimento ao longo de todo o fim de semana, e o futuro das negociações de paz segue em aberto.

No anúncio da pausa nos ataques feito, Trump afirmou que ela duraria de 9 a 11 de maio e incluiria a suspensão de toda atividade militar e uma troca de mil prisioneiros por cada lado. "Esta solicitação foi feita diretamente por mim", disse o presidente americano. "Esperançosamente, é o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil."

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky confirmou o acordo e agradeceu à equipe americana pelo envolvimento diplomático, mas deixou claro que Kiev esperava que Washington garantisse o cumprimento dos compromissos por parte da Rússia. "Estamos contando com os Estados Unidos para assegurar que a Rússia cumpra estes acordos", disse o presidente ucraniano.

O contexto do cessar-fogo era o Dia da Vitória russo, celebrado em 9 de maio com o tradicional desfile militar na Praça Vermelha em comemoração ao 81º aniversário da derrota nazista na Segunda Guerra Mundial.

Zelensky disse que a Ucrânia aceitou a trégua principalmente por causa da troca de prisioneiros. "A Praça Vermelha é menos importante para nós do que as vidas dos prisioneiros ucranianos que podem ser trazidos para casa", escreveu o presidente ucraniano.

Acusações de lado a lado

A trégua, no entanto, não resistiu ao fim de semana inteiro sem turbulências. A agência Reuters relatou neste domingo (10) que três pessoas foram mortas em ataques de drones russos perto da linha de frente, e mais de 200 confrontos no campo de batalha foram registrados desde o início do sábado, segundo autoridades ucranianas.

A Ucrânia não acusou explicitamente a Rússia de violar o cessar-fogo, mas Moscou afirmou que Kiev disparou dezenas de drones ao longo do dia, e que as forças russas "responderam na mesma medida".

Antes do cessar-fogo mediado por Trump, Zelensky já havia criticado a postura russa, afirmando que Moscou buscava uma pausa "para realizar seu desfile, para sair à praça em segurança por uma hora uma vez por ano, e então continuar matando nosso povo e travando a guerra".

O que vem a seguir

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov deixou claro que a trégua era por três dias e não mais. "As negociações provavelmente serão retomadas, mas ainda não está claro quando", disse. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentou que "a questão de um acordo ucraniano é muito complexa, e chegar a um acordo de paz é um caminho muito longo com detalhes complexos".

O impasse reflete as dificuldades acumuladas ao longo de meses de mediação americana. Horas antes de anunciar o cessar-fogo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia adotado um tom sombrio sobre as negociações, dizendo que os esforços de mediação dos EUA não haviam levado a "um resultado frutífero" até o momento.

Em março, a Ucrânia havia aceitado um plano americano de cessar-fogo por 30 dias, proposto após uma reunião em Jedá, na Arábia Saudita. Na ocasião, Rubio afirmou que "a bola agora está no lado deles", em referência à Rússia, que recusou a proposta. Desde então, a guerra segue sem acordo à vista, com Trump admitindo que encerrar o conflito se mostrou mais difícil do que havia prometido em campanha.