
Chernobyl é habitável? Saiba quem mora lá
REUTERS/Valentyn Ogirenko/File Photo
Quatro décadas após o acidente nuclear de 1986, a Zona de Exclusão de Chernobyl, no norte da Ucrânia, vive uma nova fase, com áreas de radiação próximas ao normal, moradores que retornaram por conta própria e um turismo que chegou a crescer, mas hoje está interrompido pela guerra.
O desastre no reator 4 da usina, que faz 40 anos neste domingo (26), provocou a evacuação de cidades como Pripyat e a criação de uma zona de exclusão em torno da planta. Desde então, cientistas monitoram a radiação e buscam formas de usar novamente essas terras com segurança.
Qual é o nível de radiação em Chernobyl atualmente?
Apesar da magnitude do desastre, a radiação em grande parte da área afetada caiu rapidamente ao longo dos anos.
Em muitas regiões que antes eram consideradas altamente contaminadas, as doses médias hoje representam apenas um pequeno aumento em relação à radiação natural de fundo.
Em alguns pontos, os níveis atuais são até mais baixos do que os encontrados em outras partes do mundo, segundo medições oficiais. Isso não significa, porém, que o risco tenha desaparecido.
Uma área de cerca de meio quilômetro quadrado imediatamente próxima ao reator continua altamente restrita por causa da radiação elevada.
Tem alguém que ainda mora em Chernobyl?
A presença humana na região é complexa. Logo após as evacuações, cerca de 1.000 pessoas retornaram de forma não oficial para viver dentro da zona contaminada, instalando-se novamente em vilarejos abandonados e levando uma rotina rural, em geral de subsistência.
Além desses moradores, há a força de trabalho ligada à usina. Nos anos seguintes ao acidente, quase 6.000 pessoas chegaram a trabalhar diariamente na planta, em tarefas de manutenção, monitoramento e desmantelamento das estruturas.
Hoje, uma pequena equipe de cientistas e técnicos ainda atua diretamente na área do reator destruído.
Esses trabalhadores e suas famílias residem em Slavutich, cidade construída a cerca de 30 km da usina para abrigar a população que deixou Pripyat. Na vizinha Belarus, programas oficiais já reassentaram milhares de pessoas em centenas de vilarejos que haviam sido evacuados após o acidente.
É permitido entrar em Chernobyl?
A região chegou a se transformar em destino de turismo controlado. Em 2011, Chernobyl foi oficialmente declarada uma atração turística, com visitas guiadas autorizadas pelo governo ucraniano. O interesse cresceu rapidamente e atingiu um pico de cerca de 100.000 visitantes em 2019.
As excursões seguiam roteiros definidos e regras de segurança, com permanência limitada e proibição de tocar em estruturas ou se afastar dos guias.
Desde fevereiro de 2022, no entanto, as visitações turísticas estão suspensas em razão da invasão russa na Ucrânia, e a área voltou a ter acesso fortemente controlado por questões de segurança.
Em que ano Chernobyl voltará a ser habitável?
Especialistas destacam que não existe um ano determinado em que Chernobyl “voltará a ser habitável”. O retorno ao uso das terras é um processo gradual, que já acontece em algumas áreas menos contaminadas.
Na Belarus, um programa nacional busca devolver as regiões afetadas ao uso normal com o mínimo de restrições possível.
Nessas zonas, a prioridade é desenvolver agricultura e silvicultura em terras onde a presença de isótopos radioativos, como césio-137 e estrôncio-90, já é considerada baixa. De acordo com avaliações técnicas, já é seguro consumir alimentos produzidos nessas áreas.
Locais onde a concentração de radionuclídeos continua alta estão sendo reflorestados e mantidos sob manejo contínuo. A expectativa científica é que, com o decaimento natural da radioatividade e o avanço do conhecimento em biologia e ecologia, seja possível ampliar gradualmente o uso seguro dessas terras, enquanto a área imediatamente próxima ao reator deve permanecer restrita por muito mais tempo.
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