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Chernobyl pertence a qual país? Como está a situação da região hoje

Usina no norte ucraniano enfrenta danos de guerra, tem plano de desmonte até 2064 e vê renascer vida selvagem

Da redação
DA REDAÇÃO

26/03/2026 • 19:57 • Atualizado em 26/03/2026 • 19:57

Chernobyl; como está a situação da região hoje

Chernobyl; como está a situação da região hoje

REUTERS/Valentyn Ogirenko/File Photo

Localizada no norte da Ucrânia, a usina de Chernobyl, a cerca de 130 km de Kiev, continua sob controle ucraniano e vive hoje um cenário complexo. No próximo domingo, o acidente nuclear no local fará 40 anos.

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A região é marcada por danos recentes da guerra, desafios de desmonte até 2064 e um inesperado renascimento da vida selvagem na zona de exclusão criada após o desastre de 1986.

Localização geográfica e o contexto da Ucrânia

O Complexo de Energia de Chernobyl fica no norte da Ucrânia, a aproximadamente 130 km ao norte da capital Kiev e a cerca de 20 km ao sul da fronteira com Belarus. A região é descrita como uma área de florestas do tipo bielo-russo, com baixa densidade populacional.

A usina foi construída durante a era soviética, quando o território integrava a União Soviética na forma da República Socialista Soviética da Ucrânia. O projeto previa quatro reatores do tipo RBMK-1000, que impulsionaram o programa nuclear soviético.

As primeiras unidades começaram a ser erguidas entre 1970 e 1977. Já as unidades 3 e 4 foram concluídas em 1983, consolidando Chernobyl como um dos principais polos de geração nuclear da antiga URSS.

Após a independência da Ucrânia, em 1991, o complexo passou a integrar o patrimônio do Estado ucraniano.

O impacto da guerra e a ocupação russa em 2022

Décadas depois do acidente de 26 de abril de 1986, Chernobyl voltou ao centro das atenções com a guerra na Ucrânia. Em 24 de fevereiro de 2022, forças militares da Rússia assumiram o controle de todas as instalações da usina nuclear e da zona de exclusão ao seu redor.

Durante a ocupação, agências reguladoras reportaram que as doses de radiação gama na área ultrapassaram os limites considerados normais. Técnicos explicaram, porém, que o aumento foi temporário e não resultou em novos vazamentos radioativos.

Segundo esses órgãos, a alta nos níveis de radiação decorreu da perturbação da camada superior do solo altamente contaminado, causada pelo trânsito intenso de veículos militares pesados, que levantaram poeira radioativa.

O controle da instalação retornou às autoridades ucranianas em 31 de março de 2022.

O incidente com drone em 2025 e a segurança do Novo Sarcófago

A principal estrutura de segurança da usina também sofreu novos danos. Em 14 de fevereiro de 2025, um drone atingiu diretamente o teto do Novo Confinamento Seguro (NSC), o grande arco de aço construído para envolver o antigo sarcófago do reator 4.

O ataque perfurou os revestimentos interno e externo de aço e abriu um buraco de cerca de seis metros de diâmetro. A colisão provocou um incêndio na camada de isolamento térmico, que queimou lentamente durante três semanas e foi totalmente contido apenas em 7 de março.

Apesar da preocupação internacional e da constatação de que o NSC perdeu parte de sua capacidade de confinamento primário, medições realizadas no local indicaram que os níveis de radiação permaneceram dentro da normalidade durante e após o incidente. Não houve registro de aumento relevante de contaminação ambiental.

Os danos, porém, criaram um desafio financeiro adicional para a Ucrânia. Estimativas apontam que os custos de reparação podem superar 100 milhões de euros.

A meta das autoridades é restaurar a plena capacidade de confinamento do sarcófago até 2030, o que exigirá novos aportes internacionais.

Natureza e vida selvagem: a zona de exclusão como santuário

Longe da ocupação humana permanente, a zona de exclusão de Chernobyl se transformou em um laboratório vivo de resiliência ecológica. Estudos indicam que, apesar dos efeitos do acidente de 1986, o resultado ambiental líquido foi o aumento da abundância de espécies nas áreas afastadas.

Pesquisadores apontam que a ausência de moradores e de atividade econômica intensa permitiu que a fauna se recuperasse. Mamíferos selvagens, como lobos, cervos e javalis, prosperam em números considerados surpreendentes, mesmo sob exposição crônica a baixos níveis de radiação.

Uma curiosidade recente envolveu a aparição de cães de rua com pelos em tonalidades azuladas, fotografados em outubro de 2025 e amplamente divulgados nas redes sociais. Muitos atribuíram a cor incomum à radiação.

Divulgação/Clean Futures Fund

Divulgação/Clean Futures Fund

Especialistas, contudo, descartaram essa hipótese. Investigações mostraram que os animais tiveram contato com o corante químico de um banheiro portátil que havia tombado na área, o que tingiu os pelos de azul, sem relação com contaminação atômica.

O processo de desmonte e o futuro da região até 2064

Enquanto trabalha para restaurar o sarcófago do reator 4 até 2030, a Ucrânia conduz um plano de desativação de longo prazo para as demais unidades de Chernobyl. O cronograma envolve as unidades 1, 2 e 3, que serão desmontadas em etapas sucessivas e rigorosamente controladas.

Em uma primeira fase, técnicos promovem a remoção de parte dos equipamentos e colocam o local em estado de armazenamento seguro até 2028. Na etapa seguinte, prevista até 2046, ocorre a retirada de mais maquinário e estruturas internas.

A última fase, programada para culminar em 2064, prevê a demolição estrutural completa das três unidades remanescentes da usina. Só então o complexo estará formalmente desativado, abrindo espaço para uma redefinição do futuro da região.

Até lá, Chernobyl seguirá como território ucraniano que concentra, ao mesmo tempo, um dos piores legados do programa nuclear soviético, os impactos recentes da guerra e um raro santuário de biodiversidade em meio a uma área marcada pela memória do desastre.

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